Foto: Tomaz Silva
A prévia da inflação registrou avanço em abril e chegou a 0,89%, conforme dados divulgados nesta terça-feira (28 de abril) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado supera o índice de abril anterior, que marcou 0,44%, e também representa o maior nível desde fevereiro, quando atingiu 1,23%.
Além disso, no acumulado de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) alcançou 4,37%. Antes disso, o índice somava 3,9% no período encerrado em março, o que indica aceleração recente dos preços.
Alimentação lidera impacto no mês
Entre os grupos analisados, alimentação e bebidas tiveram maior peso na composição do índice, com alta de 1,46% e impacto de 0,31 ponto percentual. Em seguida, transportes contribuíram com 1,34% e impacto de 0,27 ponto.
No grupo de alimentação, os preços dos produtos consumidos dentro de casa aumentaram com mais intensidade. Esse segmento avançou de 1,10% em março para 1,77% em abril. Entre os itens que mais subiram, destacam-se cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%).
Ao mesmo tempo, a alimentação fora do domicílio também registrou alta. O índice subiu 0,70%, o dobro do verificado em março, quando ficou em 0,35%.
Segundo o economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, a entressafra influenciou esse cenário. De acordo com ele, a redução na produção de alguns itens, como o leite, tem pressionado os preços.
Combustíveis impulsionam transportes
O grupo de transportes apresentou forte influência dos combustíveis, que subiram 6,06% no período. Entre os itens analisados, a gasolina teve o maior impacto individual no índice, com alta de 6,23% e contribuição de 0,32 ponto percentual.
Além disso, o óleo diesel registrou aumento ainda mais expressivo, de 16%, com impacto de 0,04 ponto.
Conflito internacional afeta preços
O cenário internacional também contribuiu para a alta dos combustíveis. Em abril, a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã trouxe instabilidade ao mercado de petróleo. Como resultado, bloqueios no Estreito de Ormuz reduziram a circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, o que afetou a oferta.
Dessa forma, a menor disponibilidade elevou os preços internacionais. Como o petróleo e seus derivados são commodities negociadas globalmente, os valores aumentaram inclusive em países produtores, como o Brasil.
Para conter os efeitos, o governo brasileiro adotou medidas como isenção de impostos e subsídios. Ainda assim, segundo Queiroz, essas ações apresentam efeito limitado, embora contribuam para reduzir impactos.
Entenda a diferença entre IPCA-15 e IPCA
O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do índice oficial de inflação (IPCA), que orienta a meta do governo, fixada em 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, os dados atuais permanecem dentro desse intervalo.
No entanto, a principal diferença está no período de coleta. No caso divulgado nesta terça-feira (28 de abril), o levantamento ocorreu entre 18 de março e 15 de abril. Já o índice completo considera o mês cheio.
Além disso, ambos os indicadores avaliam uma cesta de produtos e serviços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, sendo o valor atual de R$ 1.621. Enquanto o IPCA-15 abrange 11 localidades, o IPCA inclui 16 regiões. O resultado final de abril será divulgado em 12 de maio.