Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67% em abril. Apesar do avanço nos preços, o resultado mostrou desaceleração na comparação com março, quando a inflação oficial ficou em 0,88%.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12 de maio) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o índice veio abaixo da expectativa do mercado financeiro. O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na segunda-feira (11 de maio), projetava inflação de 0,69% no período.
No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,39%. Dessa forma, o índice permaneceu dentro do intervalo da meta do governo federal, que prevê centro de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Em abril do ano passado, o IPCA havia marcado 0,43%. Já o acumulado anual naquele período estava em 5,53%.
Alimentos lideraram pressão sobre a inflação
Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas apresentou a maior variação, com alta de 1,34%. O segmento respondeu por 0,29 ponto percentual do índice geral e representou 43% da inflação de abril.
Além disso, a alimentação no domicílio subiu 1,64%, enquanto a alimentação fora de casa avançou 0,59%.
Segundo o analista Fernando Gonçalves, do IBGE, a oferta de produtos e o custo do frete influenciaram o aumento dos preços. No caso do leite longa vida, por exemplo, o período mais seco reduziu as áreas de pastagem e elevou os custos com ração animal.
Ainda conforme o analista, o transporte da produção por caminhões também contribuiu para a alta dos alimentos, já que o aumento do diesel impactou diretamente o valor do frete.
Gasolina, leite e carnes ficaram mais caros
Entre os produtos pesquisados, a gasolina exerceu a maior pressão individual sobre o IPCA. O combustível ficou 1,86% mais caro em abril.
Além disso, outros itens também apresentaram aumentos relevantes:
- Leite longa vida: 13,66%
- Produtos farmacêuticos: 1,77%
- Higiene pessoal: 1,57%
- Gás de botijão: 3,74%
- Carnes: 1,59%
- Energia elétrica residencial: 0,72%
- Cenoura: 26,63%
- Cebola: 11,76%
- Tomate: 6,13%
O grupo transportes registrou alta de 0,06%. Já os combustíveis tiveram aumento médio de 1,80%.
Enquanto isso, o óleo diesel avançou 4,46% e o etanol subiu 0,62%.
Guerra no Oriente Médio influenciou combustíveis
De acordo com o IBGE, a guerra no Oriente Médio impactou diretamente os preços da gasolina e do diesel. A região concentra importantes países produtores e rotas de escoamento de petróleo.
Como o petróleo possui cotação internacional, o aumento dos preços no mercado externo também afeta o Brasil, mesmo sendo um país produtor.
No caso do diesel, o país ainda importa cerca de 30% do consumo nacional. Por isso, o mercado interno sofre influência direta das oscilações internacionais.
Passagens aéreas ficaram mais baratas
Na direção oposta, a passagem aérea apresentou queda média de 14,45% em abril. O item teve impacto negativo de 0,11 ponto percentual e ajudou a reduzir o índice geral.
Segundo Fernando Gonçalves, o levantamento dos preços das passagens ocorre com antecedência de 60 dias. Portanto, a pesquisa ainda não captou os efeitos do aumento do querosene de aviação após o início do conflito no Oriente Médio.
Além disso, o gás natural veicular (GNV) ficou 1,24% mais barato no período.
Conta de luz e gás de botijão também subiram
O grupo habitação avançou 0,63% em abril. O resultado recebeu influência principalmente do aumento do gás de botijão e da energia elétrica residencial.
O gás de cozinha teve alta de 3,74%, enquanto a conta de luz subiu 0,72%.
Segundo o IBGE, reajustes aplicados em regiões metropolitanas como Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Aracaju e Campo Grande influenciaram a média nacional da energia elétrica.
Como funciona o IPCA
O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.
O levantamento ocorre nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Além disso, a pesquisa inclui Brasília e as capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.