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Inflação perde força em abril, mas alimentos seguem pressionando preços

Davi Dias 12 de maio de 2026

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Inflação perde força em abril, mas alimentos seguem pressionando preços

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67% em abril. Apesar do avanço nos preços, o resultado mostrou desaceleração na comparação com março, quando a inflação oficial ficou em 0,88%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12 de maio) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o índice veio abaixo da expectativa do mercado financeiro. O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na segunda-feira (11 de maio), projetava inflação de 0,69% no período.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,39%. Dessa forma, o índice permaneceu dentro do intervalo da meta do governo federal, que prevê centro de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

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Em abril do ano passado, o IPCA havia marcado 0,43%. Já o acumulado anual naquele período estava em 5,53%.

Alimentos lideraram pressão sobre a inflação

Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas apresentou a maior variação, com alta de 1,34%. O segmento respondeu por 0,29 ponto percentual do índice geral e representou 43% da inflação de abril.

Além disso, a alimentação no domicílio subiu 1,64%, enquanto a alimentação fora de casa avançou 0,59%.

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Segundo o analista Fernando Gonçalves, do IBGE, a oferta de produtos e o custo do frete influenciaram o aumento dos preços. No caso do leite longa vida, por exemplo, o período mais seco reduziu as áreas de pastagem e elevou os custos com ração animal.

Ainda conforme o analista, o transporte da produção por caminhões também contribuiu para a alta dos alimentos, já que o aumento do diesel impactou diretamente o valor do frete.

Gasolina, leite e carnes ficaram mais caros

Entre os produtos pesquisados, a gasolina exerceu a maior pressão individual sobre o IPCA. O combustível ficou 1,86% mais caro em abril.

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Além disso, outros itens também apresentaram aumentos relevantes:

  • Leite longa vida: 13,66%
  • Produtos farmacêuticos: 1,77%
  • Higiene pessoal: 1,57%
  • Gás de botijão: 3,74%
  • Carnes: 1,59%
  • Energia elétrica residencial: 0,72%
  • Cenoura: 26,63%
  • Cebola: 11,76%
  • Tomate: 6,13%

O grupo transportes registrou alta de 0,06%. Já os combustíveis tiveram aumento médio de 1,80%.

Enquanto isso, o óleo diesel avançou 4,46% e o etanol subiu 0,62%.

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Guerra no Oriente Médio influenciou combustíveis

De acordo com o IBGE, a guerra no Oriente Médio impactou diretamente os preços da gasolina e do diesel. A região concentra importantes países produtores e rotas de escoamento de petróleo.

Como o petróleo possui cotação internacional, o aumento dos preços no mercado externo também afeta o Brasil, mesmo sendo um país produtor.

No caso do diesel, o país ainda importa cerca de 30% do consumo nacional. Por isso, o mercado interno sofre influência direta das oscilações internacionais.

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Passagens aéreas ficaram mais baratas

Na direção oposta, a passagem aérea apresentou queda média de 14,45% em abril. O item teve impacto negativo de 0,11 ponto percentual e ajudou a reduzir o índice geral.

Segundo Fernando Gonçalves, o levantamento dos preços das passagens ocorre com antecedência de 60 dias. Portanto, a pesquisa ainda não captou os efeitos do aumento do querosene de aviação após o início do conflito no Oriente Médio.

Além disso, o gás natural veicular (GNV) ficou 1,24% mais barato no período.

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Conta de luz e gás de botijão também subiram

O grupo habitação avançou 0,63% em abril. O resultado recebeu influência principalmente do aumento do gás de botijão e da energia elétrica residencial.

O gás de cozinha teve alta de 3,74%, enquanto a conta de luz subiu 0,72%.

Segundo o IBGE, reajustes aplicados em regiões metropolitanas como Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Aracaju e Campo Grande influenciaram a média nacional da energia elétrica.

Como funciona o IPCA

O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

O levantamento ocorre nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Além disso, a pesquisa inclui Brasília e as capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

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