Foto: Diego Vargas / Seapa-MG
O agronegócio de Minas Gerais garantiu destaque no cenário econômico ao registrar US$ 3,93 bilhões em exportações entre janeiro e março. Com isso, o setor respondeu por 38,5% de toda a receita obtida pelo estado no período. Além disso, o segmento manteve a liderança na pauta exportadora mineira.
Segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), diversos fatores influenciaram esse desempenho. A assessora técnica Manoela Teixeira explica que a combinação entre oferta, preços internacionais e os produtos exportados definiu o resultado do trimestre. Portanto, mesmo com variações, o setor conseguiu sustentar sua relevância.
Volume cai, mas preços sustentam receitas
Embora a receita tenha sido expressiva, o volume exportado apresentou queda. No total, Minas Gerais enviou 2,84 milhões de toneladas ao exterior, o que representa recuo de 11,2%. No entanto, a diferença entre volume e valor ajuda a entender melhor o cenário.
No caso do café, por exemplo, a redução no volume foi maior do que a queda na receita. Isso ocorreu porque os preços médios permaneceram elevados. Por outro lado, no setor sucroalcooleiro, aconteceu o oposto. O volume cresceu, mas a receita caiu, indicando redução nos preços médios.
Destinos internacionais ganham diversidade
Durante o trimestre, os produtos do agro mineiro chegaram a 155 países. A China liderou como principal destino, seguida pelos Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. Ao mesmo tempo, houve mudanças relevantes na distribuição geográfica das exportações.
De acordo com a Seapa-MG, países como Itália, Índia, Taiwan, Tailândia, Filipinas e Suíça ampliaram participação. Além disso, o Oriente Médio também teve presença significativa. Somando diversos países da região, as exportações atingiram US$ 219,1 milhões, o que corresponde a 5,6% do total.
Carnes crescem e registram recorde
Entre os segmentos, as carnes se destacaram pelo crescimento. O grupo, que inclui carne bovina, suína e de frango, atingiu recorde nas exportações de carne bovina para o período. No total, o setor exportou US$ 419 milhões e 117,6 mil toneladas.
Em comparação com o mesmo período anterior, houve aumento de 8,7% na receita e de 2% no volume. Dessa forma, o segmento consolidou sua importância dentro do agronegócio mineiro.
Café mantém liderança mesmo com queda
Mesmo com retração, o café continuou como principal produto exportado. O setor alcançou US$ 2,4 bilhões em receita e 5,4 milhões de sacas comercializadas.
No entanto, os números representam quedas de 18,5% no valor e 31,5% no volume em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o produto segue como pilar das exportações do estado.
Complexo soja e produtos florestais
O complexo soja ocupou a segunda posição entre os produtos exportados. O grupo somou US$ 510,4 milhões, com queda de 11,2%, enquanto o volume chegou a 1,2 milhão de toneladas, recuo de 16,7%.
Apesar disso, houve mudança interna na composição. O grão perdeu espaço, enquanto o farelo e o óleo ganharam participação.
Já os produtos florestais registraram US$ 240,7 milhões em exportações. Embora a receita tenha caído 1%, o volume cresceu 3,4%, impulsionado principalmente pelo aumento nas vendas de papel.
Diversificação fortalece o agro mineiro
Além dos principais produtos, Minas Gerais liderou exportações brasileiras em itens como milho para semeadura, mel natural, batatas preparadas ou conservadas, leites concentrados adocicados e doce de leite.
Segundo a Seapa-MG, essa diversidade mostra que o estado não depende apenas de grandes commodities. Pelo contrário, o agro mineiro também avança em nichos e produtos com maior valor agregado, ampliando sua presença em mercados exigentes.