Foto: Divulgação / MPMG
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais, realizou na quarta-feira (17 de dezembro) a operação Hígia, que teve como foco a apuração de um suposto esquema de milícia privada em Ubá, na Zona da Mata mineira. A investigação envolve três policiais civis da cidade, suspeitos de participação em organização criminosa, falsidade ideológica e atuação ilegal na área de segurança privada.
Desde o início da ação, as equipes concentraram esforços para reunir provas e interromper as atividades investigadas. Por isso, as autoridades cumpriram dez mandados de busca domiciliar e, além disso, determinaram o afastamento de três servidores de seus cargos públicos. A operação buscou, sobretudo, esclarecer a ligação entre agentes públicos e uma empresa de segurança que atuava de forma irregular na região.
Prisão em flagrante e apreensões durante a operação
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores prenderam um dos policiais civis em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Ao mesmo tempo, as equipes localizaram, na residência de um dos empresários investigados, uma grande quantidade de dinheiro em espécie. Além disso, os agentes recolheram armas, documentos diversos e dispositivos eletrônicos, que agora integram o conjunto de provas da investigação.
Essas apreensões reforçam as suspeitas apuradas até o momento. Segundo o Ministério Público, o material coletado indica a participação direta de servidores públicos e agentes privados na prestação ilegal de serviços de segurança, o que amplia a gravidade do caso.
Estrutura do esquema utilizava recursos da Polícia Civil
As investigações apontam que o suposto chefe do esquema também atuava como policial civil. Ele permanece preso preventivamente desde novembro de 2024. Conforme apurado, o investigado utilizava a estrutura e o efetivo da Polícia Civil de Minas Gerais para oferecer serviços de segurança privada, incluindo escolta armada de valores, mediante pagamento.
Ao longo do trabalho investigativo, os promotores e delegados identificaram planilhas de pagamento, escalas de trabalho, movimentações bancárias e registros de planejamento. Esses elementos demonstram, de forma clara, a organização do esquema e a integração entre servidores públicos e agentes privados.
Denúncias e desdobramento de outras investigações
Até o momento, o Ministério Público apresentou três denúncias contra os investigados. As acusações envolvem os crimes de milícia privada armada, falsidade ideológica, corrupção passiva e obstrução de investigação de organização criminosa.