Foto: CENIPA
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o acidente envolvendo o avião que transportava o DJ Alok em Juiz de Fora ocorreu devido a falhas humanas e excesso de peso. A investigação revelou que a aeronave Cessna 560XL tentou decolar acima do limite permitido. Além disso, a tripulação manteve a aceleração mesmo após o alerta “no takeoff”, que indica condições inadequadas para a decolagem. A decisão de interromper o procedimento veio tarde demais, fazendo o jato sair da pista. Apesar do incidente, os nove ocupantes saíram ilesos, e os danos se restringiram à fuselagem dianteira e ao trem de pouso. O voo tinha origem no Aeródromo Francisco de Assis (SBJF) e destino a Belém.
Lapsos de atenção e complacência da tripulação
Segundo o relatório, a tripulação enfrentou lapsos de atenção ao ser surpreendida com o embarque de três passageiros extras, sem atualização dos dados de peso e performance no sistema de gerenciamento de voo (FMS). Dessa forma, não perceberam que a aeronave ultrapassava o peso máximo de decolagem em 175 quilos. No dia anterior, o alerta “no takeoff” já havia sido acionado, mas sem consequências graves. Esse episódio anterior gerou complacência, levando os pilotos a subestimar o risco no dia do acidente e a acreditar que se tratava de uma falha menor.
Decisão tardia aumenta risco
O Cenipa destacou que a aceleração continuou mesmo após o alerta, configurando falha de julgamento. O procedimento abortivo só começou quando a aeronave atingiu a velocidade de rotação (VR), tornando a interrupção inviável dentro da pista. Como resultado, o avião ultrapassou o final da cabeceira oposta. O relatório classifica o incidente como excursão de pista, por ultrapassar os limites longitudinais durante uma decolagem abortada.
Falhas organizacionais e pressão do operador
A investigação aponta que a tripulação não recebeu informações sobre a adição de passageiros, descumprindo procedimentos do operador do voo, a Alok & Audiomix Prod. Artísticas Ltda. O briefing de decolagem também não definiu tarefas específicas nem ações emergenciais, prejudicando a resposta imediata. O relatório ainda destaca que mudanças constantes de planejamento e a pressão por voos noturnos e de madrugada podem ter influenciado decisões operacionais. Um piloto anterior chegou a se desligar por não se sentir confortável com o padrão de operação.