Um crime cruel chocou Barbacena, na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais, na madrugada de domingo (3 de agosto). Um adolescente de 16 anos matou a própria prima, uma menina de apenas 4 anos, com golpes de tesoura. Ele revelou à Polícia Militar que planejava o crime havia três meses como forma de vingança contra o pai da criança, seu tio, que o chamava de “doido” e usava outros apelidos ofensivos.
Adolescente premeditou o crime por meses
Durante o depoimento, o jovem explicou que decidiu agir depois de encontrar uma tesoura em um campo do Bairro Nova Cidade. Na noite do crime, ele pegou uma chave da casa da vítima, fez uma cópia e esperou todos dormirem. Em seguida, entrou sorrateiramente no imóvel, retirou a menina da cama e a levou até seu quarto.
Quando a criança acordou e começou a gritar, o adolescente tampou a boca dela e desferiu vários golpes com a tesoura, atingindo a cabeça, o pescoço, o tórax e as mãos da vítima. Depois de confirmar a morte, ele enrolou o corpo em uma jaqueta, caminhou até uma área de mata próxima e tentou incendiar o corpo. Embora o fogo tenha apagado rapidamente, o corpo da menina já apresentava queimaduras. Logo após o crime, ele voltou para casa, lavou as roupas ensanguentadas, tomou banho e foi dormir.
Pai encontrou o corpo da filha
Horas depois, o pai da criança, de 27 anos, encontrou o corpo da filha em uma área de mata no fim da Rua Maria Aparecida Resende. Desesperado, ele retirou o corpo do local e o levou até a porta de casa. Vizinhos, comovidos com a cena, colocaram o corpo dentro de uma garagem para impedir que ficasse exposto na rua.
A Polícia Militar e o SAMU chegaram logo depois. O pai, completamente transtornado, não conseguiu responder às perguntas. Já a mãe da criança contou que só percebeu o sumiço da filha após escutar gritos vindos da casa da irmã. Ao chegar lá, encontrou o chão coberto de sangue, mas não imaginava que a filha pudesse ter sido assassinada.
Confissão provocou revolta na vizinhança
Inicialmente, o adolescente disse que havia apenas cortado a mão. Pouco depois, ele confessou o crime à irmã e, mais tarde, aos policiais. Em um momento de aparente arrependimento, ele perguntou se merecia perdão por ter matado uma pessoa. Ao contar os detalhes, ele revelou que queria fazer o tio sofrer, da mesma forma que se sentia ofendido pelos apelidos recebidos.
Com a notícia espalhada pelo bairro, vizinhos demonstraram forte revolta. Por medida de segurança, os policiais retiraram o adolescente da casa. Em seguida, levaram o jovem ao Hospital Regional e, depois, à delegacia. O padrasto dele, de 53 anos, tentou justificar o corte no braço do rapaz como uma tentativa de suicídio e lavou o sangue e a tesoura usada no crime. A polícia apreendeu a arma.
Ministério Público trata o caso como feminicídio
No mesmo dia, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) representou contra o adolescente pelo ato infracional análogo ao feminicídio. Para o promotor Vinícius de Souza Chaves, o crime ocorreu por motivo torpe e com uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Além disso, destacou que o assassinato aconteceu em contexto de violência doméstica, conforme a Lei Maria da Penha.
Dessa forma, o MPMG solicitou a internação provisória do adolescente por 45 dias, além da apuração detalhada dos fatos e aplicação de medida socioeducativa compatível com a gravidade do caso. A Polícia Civil continua investigando.