Foto: Reprodução / Vatican News
O papa Francisco morreu nesta segunda-feira (21 de abril), às 7h35 da manhã (horário de Roma), na Casa Santa Marta, residência oficial no Vaticano. O cardeal Kevin Farrell, responsável pela administração da Santa Sé durante o período de vacância, anunciou a morte. Segundo ele, o pontífice viveu uma vida dedicada à fé e ao serviço da Igreja.
No dia anterior, Francisco fez sua última aparição pública. Mesmo debilitado, ele surgiu na sacada da Basílica de São Pedro para a tradicional mensagem de Páscoa Urbi et Orbi.
Francisco se tornou o primeiro papa latino-americano
Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, na Argentina. Filho de imigrantes italianos e o mais velho de cinco irmãos, escolheu o caminho religioso ainda jovem. Formou-se técnico em química, mas logo ingressou no seminário. Depois de obter licenciaturas em filosofia e teologia, passou a lecionar literatura e psicologia.
Ele se tornou sacerdote em 1969 e, mais tarde, arcebispo de Buenos Aires. Em 2001, João Paulo II o nomeou cardeal. Como líder da maior diocese argentina, ele desenvolveu um projeto pastoral voltado à comunhão, à evangelização e à assistência dos pobres.
Em março de 2013, após a renúncia de Bento XVI, Francisco assumiu o papado. Desde então, iniciou uma nova fase na Igreja Católica, com foco em simplicidade, inclusão e reformas estruturais.
Pontificado foi marcado por decisões históricas
Francisco rompeu tradições. Em dezembro de 2023, aprovou a possibilidade de padres abençoarem casais do mesmo sexo — desde que fora de rituais litúrgicos. Em janeiro de 2025, nomeou pela primeira vez uma mulher para chefiar um dicastério do Vaticano: a freira Simona Brambilla.
Além disso, ele usou sua autoridade para condenar guerras e defender o meio ambiente. Em agosto de 2024, por exemplo, declarou que o planeta estava doente e precisava de ação urgente. “A Terra tem febre. Precisamos mudar nossos hábitos e proteger os mais vulneráveis”, afirmou.
Francisco também canonizou o padre José Allamano, depois do reconhecimento de um milagre atribuído a ele entre os indígenas yanomami, na Amazônia brasileira.
Mesmo doente, Francisco seguiu atuando
Ao longo dos últimos anos, o papa enfrentou diversos problemas de saúde. Ele lidou com infecções respiratórias, quedas e dores crônicas. Ainda assim, preferiu seguir com sua rotina de reuniões e audiências. Em fevereiro, chegou a ser internado com bronquite, mas recebeu alta após alguns dias.
Apesar das limitações, continuou priorizando sua missão espiritual. Sempre que possível, participou de eventos, encontros e pronunciamentos — mesmo que em cadeira de rodas ou com a voz enfraquecida.
Líder espiritual até o fim
Francisco jamais deixou de clamar por paz. Em várias ocasiões, pediu o fim dos conflitos na Europa e no Oriente Médio. De acordo com ele, os países devem buscar a convivência pacífica por meio do diálogo, e não da violência.
Com sua morte, a Igreja perde um líder que aproximou o Vaticano dos fiéis. Seu papado ficará na história como um período de abertura, acolhimento e coragem diante dos desafios contemporâneos.