Uma investigação sobre uma organização criminosa levou à prisão preventiva de quatro policiais civis em Juiz de Fora. A ação ocorreu na quinta-feira (15 de outubro), durante a Operação Abre-te, Sésamo. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apura a possível participação dos servidores no grupo. A organização é alvo de investigações por extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro associadas ao tráfico de drogas.
Entre os alvos estariam um delegado e três investigadores que atuavam na cidade. Entretanto, as autoridades não divulgaram as identidades dos envolvidos.
Operação também atinge patrimônio dos investigados
Além das quatro prisões, as equipes cumpriram seis mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou medidas para bloquear e apreender bens móveis e imóveis relacionados à investigação.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) executou as determinações judiciais. Para isso, contou com o apoio de promotores, servidores do MPMG e integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A ação representa uma nova etapa da Operação Ali Baba, que investigou atividades criminosas relacionadas ao tráfico em Juiz de Fora.
Por enquanto, o MPMG mantém as investigações em andamento. Além disso, o órgão informou que apresentará outras informações conforme o avanço dos trabalhos.
Investigação anterior resultou em dez condenações
A Operação Ali Baba começou em julho de 2023 e revelou suspeitas envolvendo policiais militares e integrantes de uma rede criminosa.
Em agosto do ano passado, a Justiça condenou dez pessoas, incluindo dois policiais militares e três mulheres. As penas chegaram a 48 anos de prisão por crimes como extorsão, usura, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
A investigação teve início após a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) encaminhar informações ao Ministério Público. O material apontava possíveis conexões entre policiais e criminosos ligados ao tráfico de drogas e armas.
Segundo o MPMG, dois militares teriam oferecido proteção a integrantes do grupo. Além disso, eles repassariam informações privilegiadas sobre ações policiais. As suspeitas envolviam atividades nos bairros Santo Antônio e Vila Ideal.
Empréstimos com juros elevados e ameaças
As investigações também identificaram um esquema financeiro que utilizaria recursos provenientes do tráfico de drogas.
Conforme o Ministério Público, empresas ofereciam empréstimos com juros que alcançavam 20%. Entretanto, quando os clientes enfrentavam dificuldades para pagar, integrantes do grupo recorriam a intimidações e violência.
As ameaças também alcançavam familiares dos devedores. Segundo a apuração, os envolvidos utilizavam até armas de fogo durante as cobranças.
Além disso, o grupo atraía investidores com promessas de rendimentos superiores aos valores praticados pelo mercado. Para isso, utilizava empresas que serviriam para ocultar as atividades criminosas.
Apesar das condenações, o processo ainda tramita devido aos recursos. A Justiça também determinou a perda dos cargos públicos dos dois militares. Já a perda dos bens e valores provenientes dos crimes depende do trânsito em julgado.
Polícia Civil se manifesta sobre as prisões
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais apresentou o posicionamento da instituição sobre a operação:
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esclarece que a operação foi realizada pela Corregedoria-Geral da instituição, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
Ademais, reafirma que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil não compactua com eventuais desvios de condutas de servidores da instituição.
