Foto: Isabela Ferreira / Funed
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) voltou a orientar a população sobre a hantavirose após a investigação de uma possível transmissão do vírus entre passageiros de um navio de cruzeiro no Atlântico Sul. Apesar disso, o órgão esclareceu que a situação registrada fora do país não representa o cenário encontrado em Minas Gerais.
Segundo a SES-MG, a cepa identificada no Brasil não apresenta transmissão de pessoa para pessoa. Além disso, a doença está relacionada principalmente ao contato direto com roedores silvestres, sobretudo em áreas rurais.
O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que não existe motivo para alarme. De acordo com ele, os registros seguem isolados, assim como ocorreu em anos anteriores no estado. Ainda conforme o secretário, o vírus circula em roedores silvestres e aparece principalmente em regiões rurais.
Vigilância segue permanente em Minas
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que mantém ações contínuas de vigilância, prevenção e monitoramento epidemiológico. Além disso, o estado também investe na capacitação das equipes de saúde.
Em 2024, Minas Gerais sediou o primeiro treinamento prático do país voltado à investigação de doenças zoonóticas, com foco em hantavirose e peste.
O subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi, destacou que as ações preventivas acontecem de forma permanente nos municípios com apoio do Estado. Segundo ele, as estratégias incluem atividades educativas e acompanhamento epidemiológico.
Estado confirmou um caso em 2026
Até o momento, Minas Gerais confirmou um caso de hantavirose em 2026. A notificação ocorreu em fevereiro deste ano e evoluiu para óbito. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) confirmou o diagnóstico no mesmo período.
O paciente tinha 46 anos, morava em Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e apresentava histórico de contato com roedores silvestres em ambiente de lavoura e paiol.
Conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Minas Gerais registrou seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro mortes. Já em 2024, o estado contabilizou oito confirmações e também quatro óbitos.
SES-MG orienta população sobre prevenção
Mesmo sem transmissão entre pessoas, a SES-MG reforçou cuidados para moradores e trabalhadores de áreas rurais. A principal recomendação é evitar varrer locais com poeira seca que possam conter fezes ou urina de roedores.
Além disso, a orientação inclui ventilar ambientes fechados antes da entrada e umedecer o piso antes da limpeza. A Secretaria também recomenda guardar alimentos em recipientes fechados, proteger resíduos, manter terrenos limpos e evitar deixar ração animal exposta.
Outro cuidado importante envolve a retirada de restos de alimentos de animais domésticos. Da mesma forma, a SES-MG orienta evitar plantações muito próximas das residências.
Sintomas exigem atenção
Os sintomas iniciais da hantavirose incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor lombar e dor abdominal. Entretanto, casos mais graves podem apresentar dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra a doença. Por isso, pessoas que apresentarem sintomas após contato com roedores silvestres ou ambientes rurais com sinais desses animais devem procurar atendimento de saúde.