Foto: João Gabriel
Juiz de Fora se destaca como a quarta cidade de Minas Gerais com maior número de favelas e comunidades urbanas. A cidade conta com 37 áreas vulneráveis, de acordo com dados do Censo 2022, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A partir de 2024, o IBGE adotou uma nova terminologia para identificar essas áreas, deixando de usar o termo “aglomerados subnormais” e passando a utilizar “favelas e comunidades urbanas”. A mudança foi debatida com a participação de movimentos sociais, órgãos públicos e a academia. Ela visa refletir de forma mais precisa a realidade dessas comunidades, mantendo os critérios de mapeamento, mas agora com um foco mais claro e inclusivo.
Em 2022, cerca de 16.728 pessoas viviam em favelas e comunidades urbanas em Juiz de Fora, representando 3,1% da população total da cidade, conforme os dados do IBGE. O levantamento também revelou que a cidade possui 5.869 domicílios nessas áreas. A maioria desses domicílios é composta por casas (94%), enquanto o restante está dividido entre apartamentos, habitações em cortiços, e outras estruturas mais precárias.
Acesso a serviços essenciais
O mapeamento do IBGE revelou também que, apesar das dificuldades enfrentadas pelas famílias dessas áreas, a cidade avançou em termos de infraestrutura básica. Quase todos os domicílios em favelas e comunidades urbanas (98,4%) têm acesso à coleta de lixo. Além disso, 93% das residências dispõem de acesso a esgoto e saneamento, o que indica uma melhoria em relação a períodos anteriores.
Em relação ao abastecimento de água, a maioria dos moradores (98,7%) tem acesso à água canalizada diretamente em suas casas. Apenas uma pequena parcela dos domicílios enfrenta dificuldades com a falta desse serviço essencial.
Desafios persistem: pavimentação, acessibilidade e arborização
Embora a pavimentação seja uma realidade em 93,6% das vias dessas comunidades, apenas 25% das residências contam com algum tipo de arborização no entorno. Além disso, a acessibilidade é um desafio, com 70% das calçadas encontradas nessas áreas sendo obstruídas por obstáculos. A presença de rampas para cadeirantes é praticamente inexistente, com apenas 0,3% das vias oferecendo esse tipo de estrutura.
Saúde, educação e religião nas comunidades urbanas
Em termos de serviços sociais, as favelas e comunidades urbanas de Juiz de Fora também enfrentam desafios. Embora 21 dessas comunidades tenham estabelecimentos religiosos, apenas duas localidades oferecem serviços de saúde ou educação. A Ocupação do Borboleta Sem Terra e Três Moinhos, por exemplo, contam com estabelecimentos de ensino, enquanto Alto Dom Bosco e Jardim da Lua têm acesso limitado a serviços de saúde.
O conceito de favela e comunidade urbana segundo o IBGE
O IBGE define favela e comunidade urbana como áreas de moradia onde os próprios moradores buscam suprir as carências de infraestrutura e serviços, devido à ausência de apoio do poder público e da iniciativa privada. Essas áreas são caracterizadas pela vulnerabilidade, insegurança jurídica da posse e pela falta de infraestrutura básica, como saneamento e transporte adequados.
Esses dados revelam as disparidades sociais e a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para a melhoria da qualidade de vida dos moradores dessas regiões, que, apesar das dificuldades, continuam a lutar por melhores condições de vida e acesso a serviços essenciais.