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A Justiça aplicou penas que chegam a 48 anos de prisão para dez pessoas, incluindo dois policiais militares. Eles responderam por agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa armada. O grupo atuava em Juiz de Fora e acabou desmontado após operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em julho de 2023.
O juiz determinou regime inicial fechado para todos os condenados. Além disso, cinco deles já estavam presos preventivamente e seguirão detidos sem direito a recorrer em liberdade. Dessa forma, as penas terão início imediato. Ainda segundo a decisão, os dois policiais militares perderam a função pública, enquanto todos os envolvidos terão bens e valores confiscados.
Operação desmantelou esquema milionário
Logo no início da ação, as equipes cumpriram 13 mandados de prisão preventiva em Juiz de Fora e Anchieta, no Espírito Santo. Além disso, a operação resultou em 25 mandados de busca e apreensão, bloqueio e sequestro de bens que somaram mais de R$ 16 milhões. Durante as diligências, a polícia prendeu três militares — dois da ativa e um da reserva.
O Ministério Público iniciou a investigação depois que a Polícia Militar enviou uma notícia-crime ao Gaeco. Assim, foi possível identificar a existência de um grupo envolvido com tráfico de drogas, tráfico de armas, agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.
Envolvimento de policiais e métodos de intimidação
O relatório indicou que dois policiais militares colaboravam com traficantes nos bairros Santo Antônio e Vila Ideal. Para isso, garantiam proteção pessoal e repassavam informações privilegiadas que mantinham os “negócios” da organização.
As investigações revelaram que o grupo operava empresas financeiras que emprestavam dinheiro a juros abusivos. Para cobrar os clientes, usavam ameaças, violência física e armas de fogo. Portanto, as intimidações se tornaram uma prática constante contra devedores e familiares.
Lavagem de dinheiro e captação de “investidores”
Grande parte do capital para os empréstimos vinha do tráfico de drogas. Por isso, os criminosos buscavam pessoas dispostas a “investir” no esquema, prometendo lucros muito acima dos valores de mercado. Essas empresas, entretanto, funcionavam como fachada para ocultar a agiotagem e a extorsão. Dessa forma, a rede criminosa manteve suas atividades até a operação do Gaeco.