Foto: Robert Leal/TJMG
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação de uma cirurgiã-dentista e da clínica onde ela atuava. A decisão se refere à morte de uma jovem de 25 anos, que passou por uma extração de cinco dentes no dia 26 de novembro de 2020. Conforme a sentença, a mãe da paciente deverá receber R$ 70 mil como indenização por danos morais.
Complicações surgiram logo após o procedimento
A paciente começou a sentir desconforto apenas três dias após a cirurgia. Ela relatou inchaço no pescoço, dores intensas, problemas gástricos e dificuldade para abrir a boca. No entanto, mesmo após relatar os sintomas à dentista por mensagem, só no dia 30 de novembro ela recebeu prescrição de antibiótico (azitromicina).
Apesar da medicação, a situação continuou piorando. No dia seguinte, 1º de dezembro, a jovem procurou atendimento médico. No entanto, o quadro não melhorou. Em 3 de dezembro, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. O laudo indicou “choque séptico” e “sepse de foco craniofacial” como causas da morte.
Justiça reconhece falhas no atendimento pós-operatório
De acordo com os desembargadores, a equipe odontológica falhou principalmente no acompanhamento após a cirurgia. Além disso, a paciente apresentava fatores de risco, como obesidade e tabagismo, que exigiam cuidado especial. A Justiça considerou que a prescrição tardia de antibióticos e a ausência de condutas mais assertivas contribuíram diretamente para o agravamento do quadro.
Inicialmente, o juiz havia fixado a indenização em R$ 150 mil. No entanto, após recurso da defesa, o TJMG decidiu reduzir o valor para R$ 70 mil. Mesmo assim, a Corte manteve a responsabilização da clínica e da profissional.
Voto vencedor apontou omissão diante do agravamento
Ainda que a dentista tenha orientado a paciente a retornar à clínica, os magistrados entenderam que a resposta ao quadro clínico foi insuficiente. O voto da maioria reforçou que a equipe deveria ter adotado medidas urgentes. Apesar disso, o relator do processo discordou da decisão, mas acabou vencido.
O caso reforça a importância de um acompanhamento criterioso após cirurgias. Erros nesse tipo de atendimento podem gerar consequências irreversíveis, como demonstrado neste julgamento.