Foto: Agência Brasil
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Unicef e a Aliança Gavi emitiram um alerta global nesta quinta-feira (24 de Abril), durante a Semana Mundial de Imunização. De acordo com as entidades, os surtos de doenças evitáveis por vacinas aumentaram de forma preocupante em diversos países. Além disso, conquistas sanitárias de décadas estão ameaçadas por fatores como desinformação, crises humanitárias, cortes de financiamento e acesso desigual às vacinas.
Ao longo dos últimos 50 anos, as vacinas evitaram mais de 150 milhões de mortes. Apesar disso, a cobertura vacinal insuficiente já coloca milhões de vidas em risco. Por isso, as três organizações cobram investimentos urgentes e atenção política permanente para manter os sistemas de imunização em funcionamento.
Tedros destaca conquistas e pede ação global
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou a importância das vacinas em publicação no X (antigo Twitter). Segundo ele, mais de 4 milhões de vidas são salvas por ano graças à imunização. Além disso, uma criança nascida hoje tem 40% mais chances de completar o primeiro ano de vida do que há cinco décadas.
Ele também citou os avanços recentes com vacinas contra a malária e o câncer cervical. No entanto, alertou que os cortes no financiamento colocam essas conquistas em risco. “As vacinas protegem não apenas vidas individuais, mas também comunidades inteiras e economias”, afirmou.
Sarampo ressurge com força em dezenas de países
O sarampo voltou a se espalhar de maneira intensa desde 2021. Em 2023, os casos ultrapassaram 10 milhões, representando um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Embora algumas regiões tenham retomado os programas de imunização, outras continuam com baixas coberturas vacinais.
Consequentemente, 138 países relataram infecções, sendo que 61 enfrentaram surtos considerados grandes ou altamente disruptivos. Trata-se do maior número registrado em um período de 12 meses desde 2019.
Meningite avança no continente africano
A meningite também preocupa. Apenas nos três primeiros meses de 2025, 22 países africanos notificaram mais de 5,5 mil casos suspeitos e cerca de 300 mortes. Em 2024, foram 26 mil casos e quase 1.400 óbitos em 24 países da mesma região. Diante disso, especialistas temem uma crise ainda maior nos próximos meses.
Febre amarela volta a atingir África e América do Sul
Após uma década de redução nos casos, a febre amarela mostra sinais de retorno. Na África, 12 países confirmaram 124 casos em 2024. Paralelamente, nas Américas, pelo menos quatro países relataram surtos, incluindo o Brasil, com 131 infecções confirmadas até agora.
A OMS atribui a estabilidade anterior ao uso rotineiro da vacina e à manutenção de estoques globais. Contudo, a recente queda na imunização reverte parte desse controle.
Financiamento em queda paralisa campanhas
Um levantamento recente da OMS com 108 escritórios em países de baixa e média renda revelou um dado alarmante: quase metade das unidades enfrenta interrupções moderadas ou graves nas campanhas de vacinação. Simultaneamente, a vigilância de doenças também caiu em mais da metade das nações analisadas.
Essas dificuldades ocorrem em um momento crítico, no qual milhões de pessoas necessitam de proteção. Assim, as entidades reforçam que a restauração do financiamento é essencial para evitar novas ondas de surtos.
Milhões de crianças seguem sem vacinas
Os números mais recentes confirmam o agravamento da situação. Em 2023, cerca de 14,5 milhões de crianças não receberam as vacinas de rotina. Em 2022, foram 13,9 milhões; em 2019, 12,9 milhões. Mais da metade dessas crianças vive em regiões marcadas por conflitos armados ou instabilidade, o que dificulta o acesso à saúde básica.
Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, apontou que quase 50 países já enfrentam interrupções em seus sistemas de imunização. “Estamos vendo retrocessos comparáveis aos da pandemia. Perder esse terreno seria desastroso”, alertou.