Foto: MPMG
A Justiça condenou integrantes de uma organização criminosa investigada por atuar dentro do sistema prisional de Juiz de Fora. A decisão ocorreu após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e envolve policiais penais, servidores públicos e detentos.
A sentença saiu na quarta-feira (9 de abril) e foi proferida pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Juiz de Fora. No entanto, a Justiça acolheu apenas parte da denúncia apresentada pelo MPMG. Mesmo assim, o processo resultou na condenação por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Investigação apontou esquema para entrada de itens ilícitos
As investigações identificaram um esquema estruturado para permitir a entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos em uma unidade prisional da cidade. Segundo os autos do processo, alguns agentes públicos usavam as funções exercidas dentro do sistema para facilitar as práticas criminosas.
Além disso, os investigadores constataram que os envolvidos formavam uma organização criminosa considerada estável e permanente. Dessa forma, o grupo viabilizava o ingresso de itens ilegais no presídio mediante pagamento de vantagens indevidas por parte de detentos e familiares.
Movimentações financeiras chamaram atenção da investigação
Durante o andamento das apurações, os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de alguns dos envolvidos. Além disso, a investigação revelou o uso de contas bancárias de terceiros.
Com esse método, os participantes do esquema buscavam ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos obtidos por meio das atividades criminosas. Assim, as análises financeiras se tornaram um dos pontos importantes do processo.
Provas incluíram interceptações e depoimentos
Para comprovar a materialidade e a autoria dos crimes, a investigação reuniu diferentes tipos de provas. Entre elas, interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e telemático, além de análises financeiras.
Além disso, depoimentos de presos, familiares e agentes públicos também contribuíram para esclarecer o funcionamento do esquema investigado.
Oito pessoas receberam penas de até 19 anos
Ao final do julgamento, oito pessoas receberam condenações. As penas variam entre oito e dezenove anos de reclusão. Inicialmente, todos deverão cumprir a pena em regime fechado.
Além disso, a Justiça determinou a perda do cargo público dos policiais penais condenados, conforme pedido apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Após o cumprimento das penas, eles também ficarão impedidos de exercer função pública pelo prazo previsto em lei.
Por fim, o juiz negou o direito de recorrer em liberdade aos réus que permaneceram presos durante a instrução do processo ou que se encontram foragidos.