Mais de seis mil famílias de Juiz de Fora correm o risco de deixar de receber o desconto aplicado na conta de energia elétrica. O alerta foi divulgado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que identificou pendências cadastrais que podem impedir a manutenção da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE).
Entre os consumidores apontados pela companhia, 3.987 já iniciaram processo de regularização. Por isso, essas famílias devem receber notificações para corrigir informações e garantir a continuidade do benefício destinado a pessoas de baixa renda.
Comunicação será enviada aos clientes
Para informar os consumidores sobre a situação, a Cemig iniciou o envio de avisos. Primeiramente, os leituristas entregarão notificações junto à conta de luz. Nesse caso, o cliente confirmará o recebimento por assinatura.
Além disso, quem possui e-mail registrado também receberá a mensagem em formato digital. Dessa forma, a companhia conseguirá confirmar a leitura da notificação.
Regularização começou em 2026
A verificação cadastral passou a valer em 2026. Desde então, dois critérios passaram a ser fundamentais para manter o benefício.
Primeiro, o titular da conta de energia precisa fazer parte da família registrada no Cadastro Único (CadÚnico) ou no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Além disso, o município informado na fatura deve coincidir com o município registrado nesses programas sociais.
Portanto, quando o sistema identifica divergências entre essas informações, o desconto pode deixar de ser aplicado automaticamente.
Benefício atende milhares de famílias na cidade
Hoje, 29.510 famílias de Juiz de Fora recebem a Tarifa Social de Energia Elétrica, conforme dados da Cemig.
Além desse grupo, outras 18.267 famílias ainda podem ter acesso ao benefício. No entanto, para isso, elas precisam atender aos critérios exigidos e manter os dados cadastrados atualizados.
A Tarifa Social garante gratuidade total da tarifa de energia para consumidores que utilizam até 80 kWh por mês. Caso o consumo ultrapasse esse limite, o cliente paga apenas pelo valor excedente.
Situação também ocorre em outras cidades de Minas
O problema de inconsistências cadastrais não ocorre apenas em Juiz de Fora. Em toda a área de concessão da Cemig em Minas Gerais, cerca de 300 mil famílias podem perder o benefício.
Entre esses casos, aproximadamente 190 mil clientes possuem contas de energia registradas em nome de pessoas que não fazem parte do núcleo familiar cadastrado nos programas sociais.
Além disso, cerca de 110 mil famílias apresentam divergências entre o endereço registrado na conta de luz e o informado no CadÚnico ou no BPC.
Outro ponto apontado pela companhia envolve a falta de atualização cadastral. Segundo a Cemig, 88 mil famílias mantêm dados desatualizados há mais de dois anos nos programas sociais do Governo Federal, situação que também pode resultar na perda do benefício.
De acordo com o analista de Proteção da Receita da Cemig, Nilton Neves, a continuidade da Tarifa Social depende diretamente da regularidade das informações cadastradas. Ele explica que o sistema utiliza dados enviados pelo Governo Federal para atualizar automaticamente a situação dos consumidores. Assim, quando aparecem inconsistências, o desconto pode ser cancelado.
Motivos identificados em Juiz de Fora
No levantamento feito pela Cemig, diferentes situações aparecem entre as 6.358 unidades consumidoras da cidade que podem perder o benefício.
Segundo a companhia, 2.383 contas estão em nome de pessoas que não integram o grupo familiar inscrito no CadÚnico. Além disso, 1.344 consumidores apresentam divergência entre o município da conta de energia e o município informado nos programas sociais.
Outros 207 casos reúnem as duas inconsistências. Já 2.424 unidades possuem cadastro desatualizado há mais de dois anos.
Além disso, outras 2.371 famílias também podem perder a Tarifa Social por fatores como aumento de renda, vencimento do cadastro ou exclusão dos programas sociais.
Atualização deve ser feita nos Cras
Para corrigir dados no Cadastro Único (CadÚnico) ou no Benefício de Prestação Continuada (BPC), o responsável familiar deve procurar o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) mais próximo.
Em Juiz de Fora, as unidades funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, segundo a Prefeitura.