Foto: João Gabriel
A Prefeitura de Juiz de Fora informou no fim da manhã desta segunda-feira (23 de fevereiro), que o município não vive um surto de hepatite A. Segundo a Secretaria de Saúde, Juiz de Fora registrou 65 casos da doença em 2026. No entanto, o cenário caracteriza aumento pontual, sem vínculo epidemiológico entre os pacientes.
De acordo com a pasta, o termo surto se aplica quando o número de casos supera o esperado para o período e existe relação epidemiológica comprovada entre eles. Entretanto, os registros atuais não atendem a esses dois critérios. Além disso, o município acompanha uma tendência nacional de crescimento da doença.
Crescimento acompanha cenário nacional
Juiz de Fora integra um contexto mais amplo de aumento de casos em todo o Brasil, principalmente na Região Sudeste. Desde 2024, o país registra elevação nas notificações.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2024 e 2025, o Brasil apresentou crescimento de 54,5% nos casos de hepatite A. Já na Região Sudeste, o aumento chegou a 57,1%.
Água não é principal hipótese
A Secretaria de Saúde considera pouco provável que a água seja a fonte de contaminação nos casos registrados em Juiz de Fora. Segundo o órgão, se houvesse contaminação hídrica, o número de pessoas infectadas seria significativamente maior e apresentaria padrão de distribuição mais amplo.
Por outro lado, o monitoramento epidemiológico aponta como hipótese mais consistente a transmissão por consumo de alimentos crus sem higienização adequada. Além disso, há registros de pessoas que viajaram recentemente e de indivíduos com histórico de contato com esgoto, fatores que reforçam essa linha de investigação.
Vacinação não atende público mais afetado
A maioria dos casos confirmados concentra-se em homens entre 30 e 39 anos. Entretanto, o calendário nacional de vacinação contra hepatite A contempla crianças de 15 meses a 5 anos de idade.
Dessa forma, a ampliação imediata de campanhas de vacinação não teria impacto direto sobre o grupo mais atingido neste momento.
Medidas adotadas pela Prefeitura
Para conter o aumento de casos, a Secretaria de Saúde mantém monitoramento epidemiológico contínuo. Além disso, a rede municipal oferece exames diagnósticos, realiza busca ativa dos casos notificados e conduz investigações epidemiológicas.
A pasta também emitiu nota técnica de alerta para serviços e profissionais de saúde, organizou a rede assistencial para garantir atendimento adequado e divulgou cartilha com orientações sobre prevenção e cuidados após o diagnóstico.
Por fim, a Prefeitura reforça que acompanha a situação de forma permanente e divulgará novas informações sempre que necessário. A orientação à população inclui higienizar corretamente as mãos e os alimentos, além de procurar atendimento médico diante de sintomas.