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O número de pedidos para obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação disparou em Minas Gerais após a flexibilização do processo determinada pelo governo federal. Em janeiro de 2026, o estado registrou cerca de 52,9 mil requerimentos de primeira habilitação. No mesmo período do ano passado, o total ficou em 21,8 mil. Portanto, o crescimento alcançou 142,6%.
Segundo informações do portal O Tempo, os dados são do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais. A alta ocorreu depois que o governo federal alterou regras e reduziu custos do processo.
Redução de taxas impulsiona procura
Entre as mudanças, o governo buscou diminuir o valor médio da habilitação, que chegava a R$ 5 mil no país. Em Minas, o preço dos exames médico e psicológico caiu. Além disso, os candidatos deixaram de pagar pelas aulas teóricas obrigatórias.
Apesar disso, os valores cobrados pelas autoescolas não recuaram na mesma proporção. Com o fim da exigência de pacotes com 45 aulas teóricas e ao menos 20 práticas, o valor da hora-aula prática aumentou. Antes, variava entre R$ 40 e R$ 50. Agora, oscila entre R$ 80 e R$ 100.
O presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais, Alessandro Dias, afirma que os custos operacionais continuam elevados. Segundo ele, a redução no número de serviços não diminuiu despesas com funcionários, estrutura, manutenção e renovação da frota.
Quanto custa tirar a CNH hoje?
Em Belo Horizonte, o valor médio dos pacotes antes das mudanças era de R$ 2.255,99, conforme levantamento do site Mercado Mineiro. Atualmente, os pacotes ainda existem, porém o aluno precisa cumprir apenas duas aulas práticas antes das provas.
As taxas obrigatórias do processo são tabeladas. Confira:
- Abertura do processo: R$ 115,80
- Exame médico: R$ 90
- Avaliação psicológica: R$ 90
- Taxa da prova de legislação: R$ 115,80
- Taxa da prova prática de direção: R$ 115,80
Total: R$ 527,40
Esse valor corresponde apenas às taxas oficiais. O candidato ainda precisa arcar com as aulas práticas contratadas.
Autoescolas enfrentam impacto e registram fechamentos
Antes da mudança nas regras, o sindicato estimava que metade das cerca de 2 mil autoescolas do estado poderia encerrar as atividades. Até o momento, o número não chegou a esse patamar. Ainda assim, o setor já registra impacto.
Segundo o sindicato, aproximadamente dez unidades fecharam em Belo Horizonte. No estado, o número se aproxima de cem estabelecimentos. O segmento emprega cerca de 20 mil pessoas, e a entidade projeta que até 5 mil trabalhadores possam perder o emprego até o fim de fevereiro.
Além disso, funções como diretores de ensino e diretores gerais foram extintas com a nova legislação. De acordo com o sindicato, cerca de mil profissionais devem deixar o mercado formal.