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Pedidos de demissão batem recorde em Minas Gerais

Davi Dias 18 de fevereiro de 2026

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carteira de trabalho

Foto: Reprodução

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Mais trabalhadores decidiram encerrar contratos por iniciativa própria em Minas Gerais em 2025, e esse movimento ganhou força junto com a melhora das oportunidades no mercado. Além disso, o estado fechou o último ano com recorde de pedidos de demissão, enquanto o Brasil também alcançou o maior volume já registrado, com 9 milhões de demissões voluntárias.

Década mostra avanço e aceleração nos últimos anos

O gráfico “Pedidos de demissão ao longo da década em Minas” indica crescimento no volume de desligamentos voluntários em Minas Gerais desde 2016. Naquele ano, o total ficou em 283.812. Em seguida, o número subiu para 312.135 (2017) e avançou para 360.157 (2018). Depois, 2019 repetiu 360.157 e 2020 recuou para 343.205. Porém, a partir de 2021, o ritmo mudou: o estado registrou 529.487 naquele ano, além de 709.860 em 2022 e 794.406 em 2023. Na sequência, o indicador chegou a 900.784 em 2024 e, por fim, atingiu 940.827 em 2025.

Caged explica parte do cenário, e desemprego baixo favorece trocas

O economista Bruno Imaizumi, da empresa de inteligência 4intelligence, levantou os dados com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações de empregos formais no país. Segundo ele, quando a economia cresce, esse tipo de aumento aparece com mais frequência, já que as pessoas enxergam mais oportunidades e, portanto, trocam um emprego por outro.

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Ao mesmo tempo, ele aponta um efeito direto para as empresas, porque elas podem perder profissionais nesse processo. Assim, o cenário beneficia trabalhadores, pois amplia a chance de migração entre áreas. No entanto, ele também associa o movimento a uma dificuldade das empresas para atrair e reter talentos.

Além disso, o texto destaca que a taxa de desemprego no Brasil terminou 2025 no menor patamar já calculado, em 5,6%. Por isso, com mais vagas e mais disputa por profissionais, a mobilidade tende a crescer.

Perfil e motivos variam por escolaridade e idade

No recorte nacional, os pedidos de demissão se concentram entre trabalhadores com ensino superior completo ou incompleto, que respondem por 43% dos registros. Além disso, a idade influencia: quanto mais jovem, maior a chance de pedir demissão. O percentual chega a 41% entre 18 e 24 anos e cai para 32% entre 40 e 49 anos, por exemplo. Imaizumi afirma que pessoas mais escolarizadas recebem mais atenção do mercado e, portanto, se movimentam mais. Ao mesmo tempo, trabalhadores mais velhos buscam mais estabilidade.

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Por outro lado, entre pessoas menos escolarizadas, a advogada trabalhista Isabella Monteiro aponta que salário e qualidade das vagas impulsionam muitas saídas. Segundo ela, discussões sobre vida além do trabalho, melhores remunerações e condições de emprego influenciam essa nova geração. Além disso, ela cita salários baixos, baseados no salário mínimo, e escalas consideradas ruins, o que leva trabalhadores a repensar a permanência em postos com alto esforço.

Ainda assim, Monteiro observa que, para a população de renda mais baixa, até uma diferença pequena de salário já atrai mudanças. Além disso, ela cita a migração para plataformas de corrida ou entrega como alternativa. No entanto, ela alerta que isso não garante qualidade, já que, em alguns casos, a pessoa trabalha 12 horas para ganhar mais, sem necessariamente melhorar a qualidade de vida.

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