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Mais trabalhadores decidiram encerrar contratos por iniciativa própria em Minas Gerais em 2025, e esse movimento ganhou força junto com a melhora das oportunidades no mercado. Além disso, o estado fechou o último ano com recorde de pedidos de demissão, enquanto o Brasil também alcançou o maior volume já registrado, com 9 milhões de demissões voluntárias.
Década mostra avanço e aceleração nos últimos anos
O gráfico “Pedidos de demissão ao longo da década em Minas” indica crescimento no volume de desligamentos voluntários em Minas Gerais desde 2016. Naquele ano, o total ficou em 283.812. Em seguida, o número subiu para 312.135 (2017) e avançou para 360.157 (2018). Depois, 2019 repetiu 360.157 e 2020 recuou para 343.205. Porém, a partir de 2021, o ritmo mudou: o estado registrou 529.487 naquele ano, além de 709.860 em 2022 e 794.406 em 2023. Na sequência, o indicador chegou a 900.784 em 2024 e, por fim, atingiu 940.827 em 2025.
Caged explica parte do cenário, e desemprego baixo favorece trocas
O economista Bruno Imaizumi, da empresa de inteligência 4intelligence, levantou os dados com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações de empregos formais no país. Segundo ele, quando a economia cresce, esse tipo de aumento aparece com mais frequência, já que as pessoas enxergam mais oportunidades e, portanto, trocam um emprego por outro.
Ao mesmo tempo, ele aponta um efeito direto para as empresas, porque elas podem perder profissionais nesse processo. Assim, o cenário beneficia trabalhadores, pois amplia a chance de migração entre áreas. No entanto, ele também associa o movimento a uma dificuldade das empresas para atrair e reter talentos.
Além disso, o texto destaca que a taxa de desemprego no Brasil terminou 2025 no menor patamar já calculado, em 5,6%. Por isso, com mais vagas e mais disputa por profissionais, a mobilidade tende a crescer.
Perfil e motivos variam por escolaridade e idade
No recorte nacional, os pedidos de demissão se concentram entre trabalhadores com ensino superior completo ou incompleto, que respondem por 43% dos registros. Além disso, a idade influencia: quanto mais jovem, maior a chance de pedir demissão. O percentual chega a 41% entre 18 e 24 anos e cai para 32% entre 40 e 49 anos, por exemplo. Imaizumi afirma que pessoas mais escolarizadas recebem mais atenção do mercado e, portanto, se movimentam mais. Ao mesmo tempo, trabalhadores mais velhos buscam mais estabilidade.
Por outro lado, entre pessoas menos escolarizadas, a advogada trabalhista Isabella Monteiro aponta que salário e qualidade das vagas impulsionam muitas saídas. Segundo ela, discussões sobre vida além do trabalho, melhores remunerações e condições de emprego influenciam essa nova geração. Além disso, ela cita salários baixos, baseados no salário mínimo, e escalas consideradas ruins, o que leva trabalhadores a repensar a permanência em postos com alto esforço.
Ainda assim, Monteiro observa que, para a população de renda mais baixa, até uma diferença pequena de salário já atrai mudanças. Além disso, ela cita a migração para plataformas de corrida ou entrega como alternativa. No entanto, ela alerta que isso não garante qualidade, já que, em alguns casos, a pessoa trabalha 12 horas para ganhar mais, sem necessariamente melhorar a qualidade de vida.