Foto: Twin Alvarenga
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) se consolidou como referência em Minas Gerais para cirurgias de transgenitalização pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a unidade é o único serviço habilitado no estado para realizar esses procedimentos.
Administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o hospital atende pacientes de diversas regiões mineiras. Dessa forma, Juiz de Fora se torna um polo estadual no cuidado à população trans.
Atendimento especializado e contínuo
O HU-UFJF oferece atendimento ambulatorial e hospitalar por meio do Ambulatório de Processo Transexualizador. Nesse serviço, a equipe acompanha cada paciente de forma individualizada e contínua.
Entre os procedimentos realizados estão a redesignação genital, mamoplastia bilateral, orquiectomia, mastectomia, metoidioplastia e histerectomia. Além disso, o hospital também realiza rinoplastia e condrolaringoplastia redutora, conforme a indicação clínica.
Acompanhamento multiprofissional
Além das cirurgias, o ambulatório garante acompanhamento hormonal e suporte multiprofissional. Assim, o cuidado vai além do procedimento cirúrgico.
A equipe conta com psicólogo, assistente social, fisioterapeuta pélvica, enfermeira e médicos de diferentes especialidades. Também participam residentes, estagiários e acadêmicos da Universidade Federal de Juiz de Fora, o que fortalece a formação profissional e o atendimento.
Referência estadual desde 2023
Desde o credenciamento do HU-UFJF, em 2023, 370 pessoas já foram atendidas. Esses pacientes vieram de diferentes regiões de Minas Gerais, o que reforça a importância do serviço no estado.
Segundo a chefe da Unidade Multiprofissional, Raphaela Receputi, o ambulatório atua em todas as etapas do processo cirúrgico. Antes da cirurgia, a equipe realiza avaliações clínicas e psicossociais. Durante o procedimento, mantém articulação com as equipes hospitalares. Depois da cirurgia, garante o acompanhamento da recuperação e o suporte psicossocial.
Impacto na qualidade de vida
De acordo com o psicólogo Gabriel Felipe Tardin, responsável técnico da equipe multidisciplinar, o serviço impacta diretamente a qualidade de vida das pessoas trans. Segundo ele, o ambulatório amplia o acesso à saúde e reduz barreiras históricas.
Além disso, o serviço contribui para o fortalecimento do sentimento de pertencimento e reconhecimento no SUS. Ao encurtar os caminhos de acesso, o atendimento ajuda a enfrentar trajetórias marcadas por exclusão e violência institucional.
Serviço
Para acessar o atendimento do HU-UFJF, a pessoa interessada deve procurar uma unidade da Atenção Básica em sua cidade. Em seguida, é necessário solicitar encaminhamento para o Ambulatório de Processo Transexualizador. Todo o fluxo de atendimento é regulado pela Prefeitura de Juiz de Fora.