Foto: João Gabriel
Juiz de Fora teve três instituições avaliadas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. Os resultados foram divulgados na segunda-feira (19 de janeiro) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde.
Resultados em Juiz de Fora
Na cidade, o curso de medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) alcançou conceito 5, nota máxima da escala. Em seguida, a Suprema obteve conceito 4. Já o Centro Universitário Presidente Antônio Carlos (Unipac) ficou com conceito 1, considerado insuficiente pelo MEC.
Além disso, as notas variam de 1 a 5. Nesse sentido, os conceitos 1 e 2 indicam desempenho abaixo do esperado e podem gerar sanções regulatórias.
O que é o Enamed
Criado em abril e aplicado em outubro, o Enamed ampliou o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina. Ao mesmo tempo, o resultado passou a integrar o cálculo do conceito Enade das instituições.
Além disso, a avaliação pode ser utilizada em processos seletivos de residência médica. Os dados divulgados nesta semana se referem aos 351 cursos de medicina participantes da edição de 2025 em todo o país.
Segundo o MEC, o exame unificou a matriz de referência do Enade em medicina com a prova objetiva do Exame Nacional de Residência (Enare). Dessa forma, o governo afirma que o Enamed tem papel estratégico na formação médica e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desempenho baixo e risco de sanções
Também na segunda-feira (19 de janeiro), o MEC informou que cerca de um terço dos cursos de medicina do país apresentou desempenho baixo. Diante disso, o governo avalia aplicar sanções.
Entre as medidas previstas estão restrições em contratos do Fies e a suspensão de novos vestibulares. Por esse motivo, instituições privadas passaram a contestar a adoção de punições já no primeiro ciclo do exame.
Contraste regional
Na Zona da Mata e no Campo das Vertentes, os resultados mostram forte desigualdade entre os cursos. No topo da avaliação, destacam-se a Universidade Federal de Viçosa (UFV), com conceito 5, e a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que também alcançou nota máxima em um de seus campi.
Por outro lado, instituições privadas da região aparecem entre as menores notas. Receberam conceito 2 a Univértix, em Matipó; a Fadip, em Ponte Nova; o Unifacig, em Manhuaçu; a Unifaminas, em Muriaé; e a Faculdade de Medicina de Barbacena (Fame), em Barbacena. O Unipac, em Juiz de Fora, foi o único da lista regional com conceito 1.
Supervisão e medidas cautelares
Cursos com conceito 1 ou 2 integram um grupo de 93 instituições que podem ser submetidas à supervisão do MEC. As medidas variam conforme o percentual de concluintes considerados proficientes.
Quanto menor o índice, mais severas tendem a ser as ações. Em todo o país, oito cursos com menos de 30% de proficiência terão suspensão de novos ingressos. Outros 13 sofrerão redução de 50% das vagas. Já 33 cursos com conceito 2 terão corte de 25% na oferta.
Faculdades privadas contestam dados
Na noite de segunda-feira (19 de janeiro), universidades privadas enviaram ofício ao MEC apontando divergências entre os dados divulgados e informações apresentadas em dezembro pelo sistema e-MEC.
Em resposta à Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), o Inep afirmou que identificou inconsistências na base de insumos do sistema. Mesmo assim, o MEC declarou que os dados divulgados agora estão corretos.
Segundo a Abmes, em vários casos o número de alunos considerados proficientes caiu em relação ao informado anteriormente, o que reduziu conceitos. Já o Inep explicou que a diferença ocorreu devido à adoção posterior de uma nota de corte fixada em 60 pontos.
As instituições pedem a suspensão dos efeitos regulatórios até a regularização da situação. A disputa, inclusive, já chegou à Justiça, mas sem decisão favorável às faculdades até o momento.