Foto: Adair Gomez
A Fundação Hemominas fortalece sua atuação na área da inovação em saúde ao consolidar a produção do Colírio de Soro Autólogo (CSA) para uso na rede pública de Minas Gerais. A iniciativa, desenvolvida por meio do Centro de Tecidos Biológicos (Cetebio), amplia as alternativas terapêuticas para pacientes com doenças oculares graves e reforça a oferta de tratamentos personalizados no estado.
O colírio utiliza o sangue do próprio paciente como matéria-prima. Dessa forma, o produto reduz riscos de rejeição e, ao mesmo tempo, aumenta a eficácia clínica. Até o momento, 16 pacientes já receberam o tratamento, com resultados positivos observados ao longo do acompanhamento médico.
Tratamento personalizado traz melhora significativa
Entre os pacientes atendidos está um estudante de 12 anos que convive com complicações severas nos olhos após desenvolver a Síndrome de Stevens-Johnson. A condição surgiu depois de uma reação alérgica grave a um medicamento, o que provocou lesões na pele e nas mucosas. Com o avanço do quadro, as córneas foram afetadas, causando ressecamento intenso e perda parcial da visão.
Diante desse cenário, a equipe médica indicou o tratamento com o Colírio de Soro Autólogo. No Hemocentro de Belo Horizonte, o paciente realizou a segunda coleta de sangue sem intercorrências. Ao todo, foram coletados 50 tubos, volume suficiente para a produção de cerca de 70 frascos do colírio, que garantem aproximadamente três meses de uso contínuo.
Segundo o pai do estudante, a mudança na rotina foi evidente. Antes, o colírio convencional exigia aplicação a cada hora. Agora, com o CSA, o intervalo aumentou para três horas, enquanto a hidratação ocular apresentou melhora expressiva.
Produção segue rigorosos critérios de segurança
Após a coleta, o material segue para o Cetebio, localizado em Lagoa Santa. No local, as amostras passam por centrifugação para separar o soro da parte celular do sangue. Em seguida, o soro recebe diluição em solução de cloreto de sódio, conforme a concentração prescrita pelo médico responsável.
Todo o processo ocorre em ambiente controlado e totalmente estéril. Além disso, antes da liberação ao paciente, uma amostra do colírio passa por testes microbiológicos. Somente após a confirmação da esterilidade, os frascos são entregues, acompanhados de orientações detalhadas sobre uso e armazenamento.
O gerente do Banco de Células do Cetebio destaca que a liberação do produto acontece apenas após a certificação completa de segurança. Além disso, ele reforça que pacientes com quadros graves, como a síndrome do olho seco, apresentam melhora significativa na hidratação ocular com o uso do CSA.
Iniciativa marca novo serviço da Hemominas
Para a presidência da Hemominas, a produção do colírio representa um marco institucional. Segundo a direção, o avanço só foi possível graças ao esforço conjunto das equipes técnicas, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e do Governo de Minas. Assim, a fundação passa a oferecer mais um serviço de qualidade à população mineira.
Indicações e parcerias
O Colírio de Soro Autólogo atende casos graves de comprometimento da superfície ocular, como os relacionados à Síndrome de Sjögren, disfunção lacrimal e doença do enxerto contra o hospedeiro. Embora não tenha registro sanitário na Anvisa, por se tratar de terapia personalizada, o Conselho Federal de Medicina reconhece o uso terapêutico do produto.
Atualmente, a Hemominas realiza a produção do CSA em parceria com o Hospital São Geraldo, unidade funcional do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG/Ebserh), referência em atendimento oftalmológico.