Foto: Divulgação / PMERJ
A megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28 de outubro), mobilizou cerca de 2,5 mil agentes da Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público do Rio (MPRJ). Durante a ação, criminosos ergueram barricadas, atacaram equipes com drones e dispararam contra policiais. Além disso, o intenso tiroteio gerou pânico e interrompeu escolas, transportes e serviços públicos. Por isso, moradores precisaram ficar em casa enquanto as forças de segurança avançavam nas áreas controladas pelo Comando Vermelho.
Mortes e repercussão
A operação resultou em 64 mortes, incluindo quatro policiais — dois civis, Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, 51 anos, e Rodrigo Velloso Cabral, 34, e dois militares do Bope, Cleiton Serafim Gonçalves, 42, e Herbert Carvalho da Fonseca, 39. A Polícia Civil classificou os ataques como covardes e prometeu que os responsáveis não ficarão impunes. Além disso, 81 pessoas foram presas. O material apreendido e as mensagens atribuídas ao CV, que pediam resistência de moradores e mototaxistas, passarão por investigação detalhada.
Conflito político entre governos
O governador Cláudio Castro (PL) chamou a operação de a maior da história das polícias do Rio e criticou o governo federal por suposta omissão diante da escalada da violência. Por outro lado, o Planalto respondeu por meio de ministros, já que o presidente Lula estava em voo de retorno da Malásia. Além disso, ministros como Rui Costa (Casa Civil), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) discutiram a crise em reunião emergencial em Brasília. Assim, reforçaram a necessidade de coordenação entre forças federais e estaduais.
Coordenação e segurança pública
Especialistas afirmam que a falta de integração entre governos estadual e federal representa um risco. O Ministério da Justiça informou que mantém atuação no Rio desde outubro de 2023, incluindo a Força Nacional, e repassou mais de R$ 470 milhões para o estado, mas que menos da metade foi utilizada. Além disso, o governador Castro declarou que não solicitou ajuda federal nesta operação, pois o uso de blindados exigiria decreto presidencial de GLO. Esse instrumento autoriza a atuação das Forças Armadas em situações excepcionais, mas o presidente já se declarou contra esse tipo de operação.
Especialistas reforçam que é preciso unir forças estaduais, federais e municipais, planejar operações com inteligência e manter policiamento contínuo. Por isso, defendem que as ações não sejam apenas esporádicas e que a presença policial se mantenha nos bairros mesmo após confrontos.
Segurança como prioridade para 2026
A megaoperação reacendeu debates sobre segurança pública e aumentou a pressão política às vésperas das eleições de 2026. Pesquisa Genial/Quaest, de outubro, apontou que 30% da população considera a violência como a principal preocupação, superando saúde, economia e corrupção. Assim, o episódio evidencia que coordenação, planejamento e presença constante da polícia são essenciais para proteger a população e reduzir tragédias.