Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, nesta semana, o registro do medicamento Voranigo® (vorasidenibe), criado pela farmacêutica Servier. O remédio, em formato de comprimido de uso diário, amplia as opções no combate a tumores cerebrais, principalmente os gliomas de baixo grau.
A farmacêutica informa que o medicamento atende pacientes a partir dos 12 anos diagnosticados com astrocitomas ou oligodendrogliomas de grau 2. Além disso, o tratamento é indicado apenas para aqueles que possuem mutações nas enzimas IDH1 ou IDH2, já realizaram cirurgia e, no momento, não precisam de radioterapia ou quimioterapia imediata.
Ação direta no bloqueio das enzimas
O vorasidenibe bloqueia as enzimas mutadas IDH1 e IDH2, responsáveis pela produção de substâncias que favorecem o crescimento das células tumorais. Dessa forma, ele diminui de forma expressiva o risco de avanço da doença e mantém uma boa tolerabilidade.
O oncologista Fernando Maluf, em entrevista à Agência Brasil, afirmou que a decisão da Anvisa representa “o maior avanço no tratamento de gliomas nos últimos 20 anos”. Ele explica que esses tumores atingem, com maior frequência, jovens que podem desenvolver a doença desde a infância até o início da vida adulta.
Impacto direto no tratamento
Até hoje, pacientes com gliomas de baixo grau dependiam apenas de radioterapia ou quimioterapia. Com a chegada do Voranigo, médicos e pacientes passam a contar com uma alternativa capaz de adiar, ou até evitar, procedimentos mais agressivos.
Segundo Maluf, a medicação oferece uma solução especial para impedir a progressão da doença sem comprometer a qualidade de vida. Ele reforça que a nova opção amplia as chances de manter o controle do tumor e de preservar a rotina do paciente.
Com essa aprovação, o Brasil entra para a lista de países que oferecem uma abordagem moderna e direcionada para o tratamento de tumores cerebrais de baixo grau.