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Auditores fiscais do trabalho resgataram, na terça-feira (29 de julho de 2025), uma família que vivia em condições degradantes em uma fazenda no município de Januária, no Norte de Minas Gerais. O grupo, composto por um homem de 37 anos, sua companheira de 34 e dois filhos, de 6 e 9 anos, residia em um barraco de 20 metros quadrados, sem banheiro, sem água potável e sem qualquer estrutura mínima de higiene.
Promessas quebradas e ambiente insalubre
Conforme o relatório da fiscalização, a família tomava banho ao ar livre, atrás da moradia, sobre uma lona plástica. Ainda que a promessa fosse de moradia digna e registro em carteira, o empregador descumpriu todos os acordos. Desde 2019, o trabalhador exercia funções na propriedade rural, mas nunca teve seus direitos garantidos.
Além disso, o homem recebia apenas R$ 80 por dia, sem qualquer vínculo formal. Isso significa que ele não contava com férias, décimo terceiro ou segurança trabalhista. Além de tudo, ele atuava no plantio de mudas e na aplicação de agrotóxicos, mesmo sem qualquer tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI). Como consequência, os riscos à saúde se estendiam aos filhos, que permaneciam expostos ao mesmo ambiente.
Crianças viviam sem proteção e cuidados
Além da falta de saneamento, a família precisava lidar com a escassez de água. Diariamente, o pai caminhava cerca de sete quilômetros para buscar o mínimo necessário para o consumo. Portanto, as crianças também enfrentavam dificuldades extremas, sem acesso a itens básicos de sobrevivência.
Medidas imediatas após o resgate
Após o resgate, a família seguiu para a casa de um parente, onde passou a receber assistência da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Conselho Tutelar de Januária. Como parte das medidas, o empregador se comprometeu a pagar os direitos trabalhistas em até dez dias.
Por outro lado, o chefe da fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Montes Claros, Marcos Martins da Silva, informou que o caso será encaminhado ao Ministério Público estadual. O órgão poderá solicitar indenização por danos coletivos. Além disso, a Polícia Federal deve instaurar inquérito para apuração do crime. O nome do proprietário da fazenda não foi divulgado.
Minas Gerais lidera casos de resgate no país
Embora diversas ações estejam em andamento, Minas Gerais ainda lidera o ranking nacional de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão. Essa posição se repete pelo segundo ano consecutivo, segundo dados divulgados pelo MTE.