Foto: MPMG
Na manhã de terça-feira (29 de julho), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou a Operação Terceira Estação. Com apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil, os agentes desarticularam uma organização criminosa que operava a partir de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O grupo, no entanto, mantinha ramificações em Belo Horizonte, Uberlândia e também em Cariacica, no Espírito Santo.
Desde o início, os investigadores identificaram que a quadrilha agia com forte articulação dentro e fora de unidades prisionais. Por isso, o MPMG coordenou a ofensiva com ações simultâneas em quatro cidades.
Prisões, buscas e bloqueios financeiros
Durante a operação, as equipes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão e efetuaram quatro prisões preventivas. Além disso, os promotores solicitaram e conseguiram o bloqueio de R$ 10.729.454,06, valor relacionado a movimentações financeiras suspeitas. Essa medida visa impedir o escoamento do dinheiro obtido de forma ilegal.
Com esse avanço, o Ministério Público pretende enfraquecer o esquema e impedir novos crimes. A atuação direta das forças de segurança tornou a ação mais eficiente e estratégica.

Chefia vinha de dentro da penitenciária
As investigações mostraram que o líder da facção comandava o esquema de dentro da Penitenciária Francisco Floriano de Paula. Posteriormente, as autoridades o transferiram para o Complexo Público-Privado de Ribeirão das Neves. Apesar do encarceramento, ele seguia organizando ações ilícitas com ajuda da companheira, que utilizava identidade falsa.
Logo após confirmar a verdadeira identidade da mulher, os agentes descobriram que ela acumulava condenações que somam mais de 34 anos de prisão. Os crimes incluíam tráfico interestadual de drogas e assaltos a instituições financeiras. Ainda assim, ela movimentou mais de R$ 21 milhões com transações suspeitas, usando o nome falso.
Retaliação provocou homicídio na cela
Outro ponto alarmante envolve a morte de um detento. Conforme a apuração, o líder obrigou a vítima a ingerir toda a cocaína restante após o furto de cinco gramas. O consumo forçado provocou uma overdose fatal, evidenciando a brutalidade da liderança criminosa mesmo dentro do sistema prisional.
Organização criminosa atuava com estrutura moderna
O grupo possuía uma estrutura criminosa bem organizada e adotava métodos modernos para lavar dinheiro e esconder bens. A base operacional ficava no bairro Primavera, o que inspirou o nome da operação. A primavera, terceira estação do ano, simboliza também o início de uma nova fase no combate ao crime organizado no município.