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Juiz de Fora deu mais um passo na consolidação como polo de referência em sustentabilidade. O Workshop “Inteligência Aplicada à Gestão de Resíduos e Energias”, realizado nos dias 21 e 22 de julho, reuniu mais de 200 participantes no Ritz Hotel e na Praça Antônio Carlos. A Prefeitura organizou o evento por meio do grupo de trabalho Novas Energias, que conectou gestores, pesquisadores e empresas do Brasil e de fora.
Logo na abertura, a prefeita Margarida Salomão anunciou um Termo de Cooperação com a Marcopolo. A parceria permitirá que um ônibus movido a biogás circule experimentalmente em Juiz de Fora. Segundo a prefeita, a iniciativa mostra como o município transforma um problema (os resíduos) em solução para outro (a mobilidade). Além disso, ela reforçou a importância de integrar inovação e justiça social ao transporte público.
Na sequência, a economista Paula Pereda (USP) fez a palestra de abertura. Com explicações acessíveis, ela mostrou como funciona o mercado de créditos de carbono e destacou que Juiz de Fora se antecipa às exigências ambientais que o país começa a discutir.
Cidade já colhe resultados concretos
Durante a tarde do primeiro dia, o evento destacou ações locais já em curso. O pesquisador Vinícius Hercket (UFJF/PJF) apresentou os dados do projeto Ótima Energia, que mapeia o potencial energético da cidade. Logo depois, Mirelly Cardoso, diretora da Empav, mostrou como a energia solar começa a abastecer prédios públicos.
Além disso, Franciane Pavão (Demlurb) detalhou o avanço da coleta seletiva e os impactos do programa Lixo Zero. Já Werley “Portela” dos Santos, representante das cooperativas de catadores, reforçou a importância da reciclagem para a renda e a dignidade de muitos trabalhadores.
Em outra frente, Fabrício Campos, da UFJF, explicou como o Parque Tecnológico vai abrigar soluções de bioenergia. Enquanto isso, Luiz Antônio Bordin Jr., da IBOR Transporte, apresentou o projeto Frota Verde, com caminhões abastecidos por biodiesel vegetal e menor emissão de poluentes.
Fechando o dia, o professor Emanuel Brant (UFJF) apresentou uma proposta ambiciosa: construir uma usina que transforme resíduos orgânicos em biometano. Se concretizada, a iniciativa pode gerar uma economia de até R$ 1,1 milhão por mês para a cidade.
Segundo dia promoveu debate técnico e integração
O segundo dia foi marcado por mesas temáticas. A primeira, mediada por Valdeane Cerqueira (Desenvolvimento Agrário), discutiu fertilizantes orgânicos e compostagem. Participaram Caroline Gomide (CAU/China), José Luiz Natal Chaves (Organosolo) e Vanessa Romário (Embrapa), que compartilharam experiências e soluções sustentáveis.
Na mesa seguinte, sobre ativos ambientais, Fernanda Finotti (Fazenda) conduziu a conversa. Luciano Figueredo (Instituto Totum) falou sobre certificações verdes, enquanto Marcos Corrêa explicou o impacto da descarbonização na arrecadação futura do município. Welder Souza (Gasmig) mostrou exemplos de uso do biometano no transporte.
Por fim, Ignacio Delgado (SEDIC) mediou o painel sobre tecnologias de recuperação energética. Ricardo Müller (B2Biogás), Alex Prast (Inova Biogás/Linköping), Evandro Lopes (Integral WTE) e Luis Carlos Ramos (Mitima) apresentaram projetos que transformam lixo em energia de forma eficiente e segura.
Exposição e engajamento popular
Simultaneamente às discussões técnicas, a Praça Antônio Carlos recebeu uma exposição com veículos sustentáveis, placas solares e outras tecnologias. Assim, o evento também aproximou a população dos temas ambientais.
Para a secretária de Meio Ambiente, Aline Junqueira, o saldo foi positivo. “Criamos um espaço de aprendizado e conexão. Agora, queremos envolver ainda mais a população nesse movimento por cidades resilientes.”
O GT Novas Energias, criado em 2022, integra diversas secretarias e órgãos da Prefeitura, como Cesama, Demlurb, Empav, SMU, Fazenda, Mobilidade Urbana, Desenvolvimento Agrário, além da UFJF e do setor privado. Juntos, eles constroem um futuro mais limpo e justo para Juiz de Fora.