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Nos últimos cinco anos, golpistas multiplicaram seus ataques contra idosos em Minas Gerais. Em 2019, apenas quatro casos surgiam por dia. Em 2025, esse número subiu para 38. Ou seja, houve um salto de 850%, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG).
Esse aumento não ocorreu por acaso. A principal causa está no avanço dos crimes cibernéticos. Segundo Marcelo Barbosa, coordenador do Procon Assembleia, a Inteligência Artificial sofisticou os golpes. “Hoje, os criminosos imitam com perfeição vozes e imagens. O idoso acredita que fala com o gerente do banco, quando, na verdade, trata-se de um estelionatário”, explica ele.
Golpes variam, mas seguem a mesma lógica
Os tipos de fraude também se multiplicaram. Falsas centrais de atendimento, boletos adulterados e até chantagens emocionais, como os chamados “golpes do amor”, se tornaram frequentes. Marilene da Silva, de 61 anos, caiu em um deles. Ela comprou um remédio para emagrecer pela internet após ver uma propaganda com a imagem e a voz do Dr. Drauzio Varella. “Paguei, mas nunca recebi nada. Depois me pediram mais taxas. Acabei pagando de novo”, contou.
Essas armadilhas têm se tornado mais frequentes. Em 2024, o Disque 100 recebeu 72 mil denúncias de golpes contra idosos no Brasil. Isso equivale a uma vítima a cada 10 minutos.
Pandemia e vazamentos impulsionaram fraudes
Para Barbosa, a pandemia agravou o cenário. “Além do isolamento, muitos dados do INSS vazaram. Com essas informações, os criminosos passaram a contratar empréstimos em nome dos idosos. E os bancos, por sua vez, muitas vezes liberam valores sem conferir”, afirmou.
Uma aposentada de Belo Horizonte descobriu o golpe apenas ao ver o desconto em sua conta. “O gerente disse que tiraram meu dinheiro por causa de um sindicato de pescadores. Mas nunca morei perto de rio!”, desabafou.
Mesmo após identificar o golpe, ela enfrentou mais obstáculos. “O Procon explicou que tenho direito de receber em dobro, mas preciso agendar tudo no site do INSS. Só que não sei mexer na internet”, relatou.
Inclusão digital vira ferramenta de proteção
Esse tipo de situação mostra que o combate aos golpes também passa pela inclusão digital. Alguns bancos e instituições começaram a oferecer cursos gratuitos para idosos. Um exemplo é o Banco Mercantil, que lançou o programa Meu+, com aulas sobre bem-estar, saúde e tecnologia. Igor Magalhães, superintendente de negócios, defende a iniciativa. “Essa indústria de golpes muda rápido. Por isso, precisamos ensinar segurança digital de forma contínua.”
Bancos e familiares também aplicam golpes
Apesar da aparência distante, o perigo pode estar perto. O Ministério de Direitos Humanos aponta que, em muitos casos, os próprios familiares, cuidadores e até instituições financeiras lideram os golpes. Lillian Salgado, do Instituto Defesa Coletiva, chama atenção para isso. “Os bancos continuam liberando empréstimos sem autorização. Isso já virou prática. Mas, se o cliente não pediu, é amostra grátis — e os tribunais vêm confirmando esse entendimento.”