Foto: João Gabriel
A proposta da Tarifa Zero em Juiz de Fora ainda enfrenta obstáculos e não tem prazo definido para sair do papel. Embora a Prefeitura tenha enviado o projeto de lei à Câmara Municipal no fim de junho, os vereadores interromperam a análise por falta de um estudo detalhado sobre o impacto financeiro da medida.
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), contratada em maio por R$ 917 mil, ainda realiza a pesquisa que deve embasar tecnicamente a implantação. No entanto, esse estudo só ficará pronto em março de 2026. Mesmo diante desse prazo longo, o Executivo não apresentou nenhuma estimativa preliminar para destravar a tramitação do texto. Enquanto isso, os parlamentares seguem sem consenso sobre como dar andamento à proposta.
Empresários rejeitam modelo de financiamento
Além dessa indefinição, a Prefeitura enfrenta resistência do setor empresarial. O projeto prevê que empresas com mais de 10 funcionários arquem com uma tarifa mensal de R$ 250 por colaborador, mesmo que os empregados não usem o transporte público. Essa cobrança alimentaria o Fundo Municipal de Transporte e garantiria a gratuidade para a população.
Contudo, representantes do setor produtivo rejeitam a ideia de financiar a maior parte do sistema. Para debater alternativas, o governo criou um grupo de trabalho coordenado pelo secretário de Mobilidade Urbana, Richard Tavares. O grupo reúne empresários, técnicos da UFJF e o vice-prefeito Marcelo Detoni, que também atua como empresário e tem recebido pressões do setor.
Vereadores se dividem sobre o projeto
Apesar das críticas, a Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora reconheceu que a Prefeitura mantém o diálogo aberto e escuta as preocupações. Mesmo assim, os vereadores permanecem divididos. Tiago Bonecão (PSD), que preside a Comissão de Transporte, se posicionou contra a proposta. Já Marlon Siqueira (MDB), da Comissão de Orçamento, alertou que o projeto pode causar prejuízos à economia local.
Do lado da oposição, a vereadora Roberta Lopes (PL) anunciou que vai apresentar uma emenda para impedir a cobrança às empresas. Em contrapartida, Letícia Delgado (PT), integrante da base do governo, defendeu o modelo e comparou a contribuição ao financiamento do SUS, que atende mesmo quem não utiliza diretamente. Para avançar no debate, o vereador Maurício Delgado (Rede) pretende sugerir a criação de uma Comissão Especial.
Ampliação da frota ainda não tem detalhes
Além da questão financeira, a capacidade da frota também preocupa. A Prefeitura prevê um aumento de 30% na demanda com a gratuidade, mas não detalhou quantos ônibus vai colocar nas ruas. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos alertou que cidades com Tarifa Zero precisaram até quadruplicar seus veículos. Embora a prefeita Margarida Salomão tenha prometido a ampliação da frota, ela não informou como vai financiar essa expansão nem quantos veículos pretende adquirir.
Discussão pode atrasar nova licitação do transporte
Enquanto o debate se arrasta, cresce o risco de a discussão atrasar o processo de concessão do transporte urbano. O contrato atual com o Consórcio Via JF termina em 2026. Até agosto daquele ano, a Prefeitura precisa assinar uma nova concessão. O Executivo quer iniciar esse novo ciclo já com a Tarifa Zero em funcionamento, mas o cenário ainda exige definições urgentes para cumprir esse cronograma.