Foto: Divulgação / MPMG
O Governo de Minas decidiu suspender, neste domingo (13 de julho), a consulta que promovia em mais de 700 escolas estaduais sobre o modelo cívico-militar. A decisão veio após críticas contundentes de professores, diretores, pais e do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG).
Logo após as manifestações ganharem força, a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) emitiu um ofício que comunicou a suspensão das assembleias. Segundo a pasta, novas diretrizes serão divulgadas nos próximos dias. O governador Romeu Zema (Novo) e o secretário de Educação, Igor Alvarenga, devem apresentar os próximos passos em coletiva marcada para esta segunda-feira (14 de julho).
Assembleias causam polêmica desde o início do processo
Desde o final de junho, o governo organizava reuniões em centenas de escolas da rede estadual. O plano inicial previa o encerramento das consultas até 18 de julho. No entanto, a resistência cresceu rapidamente. Em Belo Horizonte, 95 escolas faziam parte do processo. A Escola Estadual Governador Milton Campos, conhecida como Estadual Central, rejeitou oficialmente o modelo cívico-militar na última quinta-feira (10 de julho), reforçando o movimento contrário.
Zema defende o modelo, mas oposição denuncia militarização
Mesmo com a suspensão, o governo continua defendendo o modelo cívico-militar. Segundo a SEE/MG, a proposta busca garantir um ambiente mais seguro, disciplinado e acolhedor para alunos e profissionais.
Por outro lado, o Sind-UTE/MG intensificou a oposição ao projeto. Em nota pública, o sindicato acusou o governo de tentar impor um modelo autoritário às escolas estaduais. “Essa proposta representa uma lógica militarizada que não dialoga com as necessidades reais das comunidades escolares”, afirmou a entidade.
Além disso, o sindicato alertou para os riscos à autonomia pedagógica e ao papel democrático das escolas. Para o Sind-UTE, o projeto desrespeita a construção coletiva do ensino público e ameaça a liberdade no ambiente escolar.
Suspensão joga incerteza sobre o futuro do modelo em Minas
Com a interrupção, o governo adia uma decisão que vinha tratando como prioritária. A suspensão amplia a incerteza sobre o futuro do modelo cívico-militar em Minas Gerais.
Ao mesmo tempo, o recuo pode influenciar outros estados que também analisam a implantação do sistema. Assim, o tema promete permanecer no centro dos debates educacionais nas próximas semanas.