Foto: Divulgação / Prefeitura
Trinta anos após a última exposição, os oito painéis de Vinícius Chagas finalmente voltaram a ocupar o Mercado Municipal de Juiz de Fora. A restauração, conduzida pelo Atelier Relicário, devolveu ao espaço um conjunto artístico que narra, em imagens, a história econômica da cidade. Dessa forma, a reabertura do mercado ganhou também um importante resgate cultural.
Obras nasceram sem briefing e com forte carga simbólica
Vinícius criou as obras em 1995, a partir de uma encomenda do antigo espaço Mascarenhas. Com pouco tempo para pesquisa, ele desenhou as cenas de memória, reunindo referências como as tecelagens, os curtumes e a chegada dos computadores aos ambientes de trabalho. Em vez de seguir um roteiro, ele deixou que as imagens surgissem de maneira intuitiva, conectando diferentes fases do desenvolvimento local.
Técnica, escala e escolhas criativas do artista
Cada painel mede aproximadamente 4,5 metros por 2,5 metros. O artista usou uma mistura de têmperas PVA, tintas e resinas acrílicas para compor as obras. Embora tenha cogitado pintá-las à mão livre, ele optou por técnicas mais práticas, já que o movimento constante de pessoas no Mercado dificultaria o trabalho. Hoje, ele reconhece que faria escolhas diferentes, como o uso de mais cores, mas afirma que, mesmo com limitações, conseguiu expressar o que pretendia.
Restauração surpreende artista e valoriza produção local
O processo de restauração surpreendeu o artista de forma positiva. No início, Vinícius temeu que as obras se perdessem com a reforma do espaço. Em seguida, surgiu outra dúvida: quem se responsabilizaria por restaurá-las? No entanto, a Prefeitura articulou a recuperação com o Atelier Relicário, e o projeto passou a contar com coordenação de André Colombo, especialista em Patrimônio Cultural.
Equipe multidisciplinar garantiu fidelidade à obra original
A equipe reuniu ainda o restaurador Valtencir Almeida dos Passos e os assistentes Cida Santos, Rafael Zampa e Josemar Lagrotta. O próprio Vinícius acompanhou cada etapa do processo como consultor técnico, garantindo fidelidade às intenções originais. Segundo ele, essa foi a primeira vez em cinco décadas de carreira que viu uma administração pública valorizar e recuperar obras de artistas locais com tamanho cuidado.
Mercado se torna vitrine da memória visual da cidade
Além disso, o trabalho do Atelier Relicário respeitou todas as escolhas estéticas e técnicas do autor. Ao longo de mais de 15 anos de experiência, o grupo acumulou projetos de preservação em diversos pontos da cidade. Agora, com a reinstalação dos painéis, Juiz de Fora reafirma seu compromisso com a cultura e transforma o Mercado Municipal em um espaço de arte viva e acessível.