As rodovias BR-040 e BR-267, que atravessam Juiz de Fora, registraram 32 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes em 2023. A informação vem da 10ª edição da Pesquisa Mapear, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a Childhood Brasil. Embora os números já preocupem por si só, o que mais chama atenção é a gravidade: 28,1% desses pontos são considerados de risco alto — o dobro da média nacional, que é de 14,5%.
Esses locais incluem bares, postos de combustíveis, comércios diversos e áreas sem edificações. A BR-040 reúne 17 deles, enquanto a BR-267 soma outros 15. Para realizar o mapeamento, os agentes da PRF aplicaram questionários que analisam fatores como presença constante de crianças, consumo de álcool, tráfico de drogas e prostituição de adultos.
Região enfrenta cenário alarmante
A comparação com os dados nacionais revela um cenário ainda mais preocupante. Segundo Eva Dengler, superintendente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil, duas situações podem explicar essa disparidade. A primeira envolve a vulnerabilidade social, que pode levar crianças e famílias a se submeterem a essas situações em busca de sobrevivência. A segunda está relacionada ao intenso fluxo de cargas nas estradas da região, que atrai redes criminosas que exploram menores de idade.
Em muitos casos, essas duas realidades se combinam. Portanto, o problema exige atenção redobrada de órgãos como o Conselho Tutelar, Polícia Civil e Polícia Militar. Com uma atuação integrada, é possível coibir práticas criminosas e proteger os mais vulneráveis.
Responsabilidade deve ser coletiva
Embora as rodovias sejam apenas o local onde o problema aparece, a responsabilidade para enfrentá-lo deve ser compartilhada. Famílias, sociedade e poder público precisam agir em conjunto. Os estabelecimentos comerciais, por exemplo, também podem contribuir. Com medidas simples, como controle de acesso e segurança reforçada, já é possível evitar a permanência de menores desacompanhados em ambientes inadequados.
Aliás, qualquer cidadão que notar movimentações suspeitas tem o dever de denunciar. Essa postura colaborativa fortalece a rede de proteção e amplia as chances de impedir abusos.
Canais de denúncia funcionam 24h
Diante de qualquer suspeita, é fundamental agir com rapidez. O Disque 100, serviço da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e o 191, número da PRF, atendem gratuitamente e de forma anônima. Ambos funcionam 24 horas por dia, inclusive nos finais de semana e feriados.
Além disso, pais e responsáveis devem observar comportamentos diferentes, como mudanças de humor, uso excessivo da internet ou reações estranhas diante de algumas pessoas. Esses sinais podem indicar abusos. Nesses casos, denunciar se torna um gesto de proteção — e pode mudar o destino de uma criança.