Foto: Vitor Ramos
A startup FitoFit: Pesquisa e Desenvolvimento conquistou o segundo lugar no Prêmio Péter Murányi, que valoriza iniciativas voltadas para a melhoria da qualidade de vida. O projeto surgiu no Laboratório de Produtos Naturais Bioativos (LPNB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e resultou na criação de um suplemento alimentar inovador.
Coordenada pela professora Elita Scio Fontes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF, a equipe desenvolveu um produto que auxilia no controle de alterações metabólicas. Produzido a partir da embaúba (Cecropia pachystachya), o suplemento apresenta propriedades diuréticas, vasodilatadoras, anti-inflamatórias e hipoglicemiantes.
Pesquisa comprova benefícios para a saúde
Para chegar ao resultado final, as pesquisadoras Martha Eunice de Bessa (IF Sudeste MG) e Mara Lucia de Campos Resende analisaram os compostos bioativos da planta. Durante o estudo, os polifenóis se destacaram por sua potente ação antioxidante. Em seguida, a equipe realizou testes pré-clínicos para avaliar a capacidade do suplemento de prevenir o ganho de peso e manter o equilíbrio metabólico.
Os resultados indicaram diversos benefícios. Entre eles, a melhora na tolerância à glicose, a redução da gordura subcutânea e a diminuição do estresse oxidativo. Além disso, os pesquisadores observaram um impacto positivo na esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado.
Diante desses achados, Elita destaca a relevância do prêmio para a continuidade do projeto. “Esse reconhecimento confirma que seguimos no caminho certo. No entanto, ainda precisamos avançar para garantir que essa tecnologia se torne acessível e sustentável para a população”, ressalta.
Fase final de testes e entrada no mercado
Agora, a FitoFit concentra seus esforços na fase final de testes regulatórios. No momento, a equipe realiza análises de toxicidade e testes clínicos em humanos para validar a eficácia e a segurança do produto. Após essas etapas, o suplemento passará pelo processo de aprovação regulatória, que permitirá sua comercialização.
Além disso, para garantir a viabilidade da produção em larga escala, a startup firmou uma parceria com uma indústria especializada. Esse acordo possibilitou a transição da produção laboratorial para o ambiente industrial, assegurando a qualidade e a eficácia do insumo.
Segundo Martha Eunice de Bessa, esse avanço representa um passo essencial para que o suplemento chegue ao consumidor final. “O prêmio fortalece nossa trajetória e nos aproxima do mercado e de potenciais investidores. Dessa forma, conseguimos ampliar o impacto da inovação científica na saúde metabólica”, explica.
Inovação científica e empreendedorismo no setor de saúde
A FitoFit nasceu da iniciativa de levar a pesquisa acadêmica para além da Universidade. Criada em 2021, a startup surgiu a partir da tese de doutorado de Mara Lucia, que investigou os compostos bioativos da embaúba. À medida que o estudo evoluiu, a UFJF patenteou a tecnologia desenvolvida.
Com isso, a empresa ganhou ainda mais reconhecimento. Além do Prêmio Péter Murányi, a startup também se destacou no projeto Emerge Amazônia, que identifica tecnologias inovadoras no país.
Por fim, Martha enfatiza que o setor de bioeconomia possui um enorme potencial. “Estamos comprometidas em desenvolver produtos inovadores que valorizem a biodiversidade brasileira e promovam benefícios concretos para a saúde. Acreditamos que a ciência pode transformar vidas e fortalecer a indústria nacional”, conclui.