O aluguel em Juiz de Fora ficou mais caro em 2024, seguindo uma tendência nacional. O valor médio por metro quadrado subiu 5,42% em comparação a 2023, passando de R$ 17 para R$ 18. Apesar de menor que a média nacional, que registrou alta de 13,5%, o aumento na cidade ainda superou a inflação de 4,83% no período.
Os dados são do Índice FipeZap, que monitora os preços de aluguel e venda em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais. O levantamento aponta que os imóveis menores foram os que mais sofreram reajustes, com apartamentos de um quarto tendo alta média de 15,18% no país.
Alta dos aluguéis e escassez de imóveis
O presidente da Associação Juizforana de Administradoras de Imóveis (Ajadi), Diogo Souza Gomes, explica que o crescimento do aluguel se deve à maior demanda e à pouca oferta na cidade. “Juiz de Fora já tem um número reduzido de imóveis disponíveis para locação, especialmente aqueles bem localizados e em boas condições. A procura crescente pressiona os preços para cima”, afirma.
Outro fator que impulsiona os aluguéis é a alta dos juros. “Com os financiamentos mais caros, muitos consumidores desistem da compra e optam por alugar, aumentando ainda mais a demanda e, consequentemente, os preços”, acrescenta o especialista.
Para o auditor fiscal Jean de Carvalho Rocha, a necessidade de moradia faz com que as famílias sigam buscando imóveis, mesmo com a perda do poder de compra. “O custo com moradia compromete uma fatia maior da renda, impactando até a capacidade de poupança das famílias. Os proprietários não só repassam os custos de manutenção, mas também ampliam suas margens de lucro”, explica.
Juros mais altos dificultam financiamentos
A Caixa Econômica Federal reajustou as taxas de juros para financiamentos imobiliários desde 2 de janeiro. No Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), os juros subiram para até 12% ao ano, enquanto a entrada mínima aumentou para 30% no sistema SAC e 50% no sistema Price.
As mudanças impactam principalmente a classe média, que financia imóveis por essa linha de crédito. Já o programa Minha Casa, Minha Vida manteve suas condições atuais, com taxas entre 4,07% e 8,47% ao ano.
Tendência para o mercado imobiliário
O economista Fernando Agra avalia que a alta dos juros pode desacelerar o mercado nos próximos meses. “Quanto maiores os juros, mais caro o financiamento e menor a atratividade da compra. Isso tende a levar a uma redução na procura e, possivelmente, a uma queda nos preços dos imóveis no segundo semestre”, analisa.
Diante desse cenário, a dúvida entre comprar ou alugar um imóvel segue em aberto. Dados da Ajadi mostram que 64% dos imóveis ocupados na cidade são próprios e quitados, enquanto 22% são alugados. A preferência por locação de curta temporada, como no modelo Airbnb, tem crescido, especialmente entre investidores que buscam maior rentabilidade.