Juiz de Fora tem 130 mil moradores em áreas de risco para desastres ambientais, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A informação foi apresentada pela diretora do órgão, Regina Alvalá, durante o evento “Câmara Debate: Os desafios e impactos dos desastres naturais em Juiz de Fora”, promovido pelas Comissões de Meio Ambiente e Urbanismo da Câmara Municipal.
Cidade entre as mais vulneráveis do país
Em 2024, Juiz de Fora registrou 10 ocorrências de risco geológico, como deslizamentos de terra, ficando em 4º lugar no ranking nacional. Além disso, foram emitidos 12 alertas de risco hidrográfico, colocando o município na 12ª posição entre as cidades mais afetadas por enchentes e inundações. Apesar desse cenário preocupante, não houve mortes registradas, o que, segundo Regina, demonstra que a cidade tem investido em prevenção.
O subsecretário de Defesa Civil, Luís Fernando Martins, explicou que a cidade possui 142 áreas de risco geológico, 27 de risco hidrográfico e oito de risco tecnológico, relacionadas às barragens. “Juiz de Fora é o terceiro município mineiro com maior população em áreas de risco, com quase 25% dos moradores vivendo em locais vulneráveis”, destacou.
Para monitorar e agir rapidamente diante de riscos, a Defesa Civil mantém uma Sala de Situação 24 horas, operando em parceria com o Corpo de Bombeiros. Além disso, o município conta com 44 pluviômetros espalhados em diferentes regiões. “Se chover 25 mm na bacia do Córrego Santa Luzia, por exemplo, sabemos exatamente a intensidade da chuva e podemos agir imediatamente”, explicou Luís Fernando.
A importância da comunicação e do planejamento urbano
Diante do aumento da probabilidade de desastres naturais, Regina Alvalá ressaltou que uma comunicação eficaz entre poder público e população é essencial para evitar tragédias. Segundo ela, a forma como a informação é transmitida pode influenciar diretamente na resposta da população. “Se a informação não for confiável, as pessoas não tomam as precauções necessárias para se proteger”, alertou.
A arquiteta Vyrna Jácomo, ex-secretária de Obras de Petrópolis, reforçou que o planejamento urbano deve envolver a participação dos moradores. “Quem vive na região conhece melhor os riscos, como áreas de drenagem e locais propensos a deslizamentos. Por isso, precisamos dessa informação para agir corretamente”, afirmou. Além disso, ela destacou a necessidade de uma política habitacional mais eficiente, garantindo moradia segura para a população e reduzindo ocupações em áreas de risco.
Prevenção como chave para reduzir desastres
Tanto Regina quanto Vyrna enfatizaram que a chuva, por si só, não causa desastres. Na realidade, o problema ocorre quando fenômenos naturais encontram vulnerabilidades, como ocupações irregulares, falta de infraestrutura adequada e ausência de medidas preventivas.
Como parte das ações de prevenção, o Cemaden divulga diariamente, às 16h, previsões de risco hidrológico e geológico. Essas informações permitem que as autoridades e a população adotem medidas de segurança antecipadamente. “Na Região Sudeste, quatro em cada 100 brasileiros estão expostos a desastres naturais”, concluiu Regina.