Foto: Welison Oliveira
Mais de um ano após a assinatura da ordem de serviço para a retomada das obras do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), nada saiu do papel. O investimento de R$179 milhões, anunciado em 8 de fevereiro de 2024 pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), ainda não resultou em avanços. O motivo, segundo a UFJF, é a demora na finalização dos projetos arquitetônicos, etapa necessária para dar início à licitação da empresa responsável pelas intervenções.
A paralisação mantém o Bloco E como um “elefante branco” na cidade. A estrutura de 13 andares, projetada para abrigar 377 leitos, salas cirúrgicas, centro de diagnóstico e laboratórios, permanece inacabada ao lado da unidade em funcionamento do HU. Até agora, a UFJF concluiu apenas o Bloco G, destinado ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Por outro lado, o Bloco E9, que abrigará os ambulatórios, ainda não foi inaugurado, pois enfrenta entraves técnicos que precisam ser resolvidos.
Impasse na obra preocupa autoridades
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, Dr. Antônio Aguiar (União Brasil), alerta para os prejuízos da demora. Ele ressalta que o HU tem o objetivo de oferecer atendimentos especializados, como UTI avançada e hemodiálise. Além disso, a ampliação da unidade ajudaria a reduzir a lotação da rede pública, que atualmente sofre com a falta de leitos de emergência e as longas filas para cirurgias eletivas.
Outro ponto levantado é a exposição da estrutura ao tempo. “Será que, depois de anos sem manutenção, esse prédio ainda está em condições de receber a obra? Precisamos avaliar se serão necessárias intervenções extras para garantir a segurança, como ocorre no hospital regional”, questiona Aguiar. Ele também alerta para os custos do equipamento hospitalar, que podem superar os gastos com a construção.
Formação de profissionais qualificados
Além da assistência à população, a conclusão do HU-UFJF fortaleceria a formação de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, permitindo a qualificação de profissionais e avanços em pesquisas. “Juiz de Fora sempre foi referência na formação de profissionais de saúde. A estrutura do hospital é essencial para manter esse padrão de qualidade”, afirma Aguiar.
Enquanto a licitação não avança, a cidade continua sem uma das suas mais importantes promessas na área da saúde. A UFJF não deu previsão para o início das obras, reforçando apenas que a execução do projeto pode sofrer variações devido à complexidade do processo.