Foto: UFJF
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) está promovendo o tratamento gratuito contra a hanseníase, em alusão ao Janeiro Roxo, campanha nacional que reforça a conscientização sobre a doença. O atendimento ocorre na Unidade Dom Bosco, por meio do Ambulatório de Hanseníase, oferecendo cuidados especializados para a população de Juiz de Fora e região.
O que é a hanseníase e como ela é transmitida?
A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecto-contagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Segundo a médica dermatologista Annair Freitas do Valle, coordenadora do Ambulatório de Hanseníase do HU-UFJF, a transmissão ocorre pelas vias aéreas superiores, especialmente após contato prolongado com indivíduos infectados que possuam alta carga bacilar.
“Há diferentes fatores que dificultam o diagnóstico”, explica Annair Valle. “Acredito que seja uma doença negligenciada, estigmatizante e subdiagnosticada, com um período de incubação muito longo, chegando a oito anos ou mais. Sendo assim, continua sendo transmitida de indivíduo para indivíduo. Se não for tratada ou tiver diagnóstico tardio, pode causar sequelas permanentes, como déficits motores e sensoriais.”
Quais os sintomas da hanseníase?
O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão da hanseníase. Os principais sintomas da hanseníase incluem:
- Manchas claras ou avermelhadas na pele com perda ou redução da sensibilidade;
- Dormência ou formigamento nas mãos e pés;
- Dor ou sensibilidade nos nervos periféricos;
- Inchaços no rosto ou lóbulos das orelhas;
- Feridas ou queimaduras indolores nas extremidades.
Como funciona o tratamento?
O tratamento oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) é gratuito e utiliza a poliquimioterapia única (PQT-U), que combina rifampicina, dapsona e clofazimina. Casos específicos podem receber esquemas terapêuticos alternativos.
No HU-UFJF, os atendimentos acontecem toda quarta-feira pela manhã na Unidade Dom Bosco. Os pacientes recebem acompanhamento mensal, que pode durar de seis meses a um ano, por uma equipe multidisciplinar formada por dermatologistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, técnicos em Enfermagem e psicólogos.
Dados sobre a hanseníase em Juiz de Fora e no Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, entre janeiro e novembro de 2023 foram registrados quase 20 mil novos casos de hanseníase no Brasil, sendo 957 em Minas Gerais e seis em Juiz de Fora.
A médica Annair Valle destaca a importância da conscientização para combater o preconceito e promover a inclusão. “Esclarecer a população a respeito da hanseníase pode proporcionar um melhor controle sobre essa doença milenar e estigmatizante, evitando o preconceito e incluindo esses indivíduos socialmente.”