Foto: Gil Leonardi
O Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados alarmantes sobre a ocupação formal em Juiz de Fora. Segundo o Cadastro Central de Empresas (Cempre) de 2021, apenas 29,32% da população está empregada com carteira assinada. Embora os números tenham aumentado em relação aos anos anteriores, a pandemia impulsionou a informalidade, revelando desafios significativos.
Os dados do Cempre, embora baseados na estimativa populacional de 2021, mostraram-se imprecisos após o Censo de 2022, revelando uma redução na população da cidade. Júlio César Gomes, representante do IBGE, ressalta que parte das informações é autodeclarada pelas empresas, o que pode distorcer os resultados.
Apesar do crescimento na geração de empregos formais, o economista Rafael Campos da Universidade Federal de Viçosa destaca a persistente informalidade em Minas Gerais, refletindo-se em Juiz de Fora. A chamada “economia de bicos”, representada por trabalhos terceirizados e freelancers, tornou-se uma realidade predominante, com entregadores e motoristas de aplicativo como protagonistas.
O mercado de trabalho, entretanto, revela desigualdades de gênero e raça. Mulheres e população negra enfrentam taxas de desemprego mais altas, evidenciando a necessidade de abordagens específicas para lidar com essas disparidades.
A professora Célia Arribas, da UFJF, destaca a sobrecarga enfrentada por mulheres jovens negras, muitas vezes responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado. Enquanto alguns jovens têm a opção de se dedicar aos estudos, outros, especialmente da periferia, enfrentam a precariedade do mercado de trabalho, buscando empregos sem vínculos formais para contribuir com a renda familiar.