Na manhã desta segunda-feira, mais um detento da Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, localizada no Bairro Linhares, Zona Leste de Juiz de Fora, veio a óbito, elevando para 11 o número de mortes de presos registradas na mesma unidade prisional somente neste ano. Dessa vez, o detento, identificado como Onildo Silvério Santos de Oliveira, de 45 anos, faleceu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
Segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a tragédia ocorreu quando policiais penais foram acionados por outros detentos de uma das celas, alertando sobre um homem desmaiado no local. Ao chegarem à cela, os agentes encontraram Onildo imóvel e sem sinais vitais. Por volta das 6h30, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado para prestar socorro à vítima que estava em parada cardiorrespiratória. Os profissionais médicos tentaram reanimar o detento, mas infelizmente seus esforços foram em vão.
A Sejusp, por meio de nota, informou que até o momento a provável causa da morte aponta para um infarto fulminante. A Polícia Civil foi acionada para realizar os levantamentos no local e conduzir as investigações criminais relacionadas ao ocorrido. Simultaneamente, a unidade prisional registrou a ocorrência e abrirá um procedimento interno para apurar administrativamente os detalhes do incidente.
Esse triste acontecimento ocorre após uma série de óbitos de detentos na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, que mobilizaram órgãos ligados aos direitos humanos e causaram preocupações na comunidade. Dez mortes de presos foram registradas até o final de julho, muitas delas relacionadas a enforcamentos com cordas artesanais tipo “teresa” em celas superlotadas, onde cerca de 30 pessoas compartilham o espaço. Um dos óbitos foi inclusive atribuído a homicídio cometido por colegas de cela que simularam um suicídio.
Além disso, houve relatos de mortes relacionadas a conflitos entre membros de facções criminosas. O cenário levou à declaração de greve de fome por parte dos detentos e à realização de uma audiência pública em agosto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para discutir a situação carcerária na região.
A Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, originalmente destinada aos condenados, passou a receber também presos provisórios há mais de dois anos, quando o Ceresp foi desativado para reforma, transferindo aproximadamente 800 detentos para outras unidades. Após problemas relacionados à superlotação, a Sejusp anunciou a mudança da porta de entrada do sistema prisional da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp) para o Presídio de Matias Barbosa.
Menos de 20 dias após essa medida, a Sejusp implementou restrições nas visitas às penitenciárias Ariosvaldo e José Edson Cavaliere (Pjec), permitindo visitas apenas de parentes diretos e cônjuges/companheiros mediante comprovação de união estável registrada em cartório ou de casamento civil, como medida de segurança e controle no ambiente prisional.