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Médico é demitido após prescrever sorvete e videogame para criança

JF Informa 31 de maio de 2023

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Médico é demitido após prescrever sorvete e videogame para criança
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Um médico que trabalhava na rede pública de saúde em Osasco, na Grande São Paulo, foi demitido depois de prescrever sorvete de chocolate e videogame para tratar uma criança de 9 anos que estava com inflamação na garganta e sintomas gripais.

A mãe da criança, Priscila da Silva Ramos, 37, ficou indignada com o atendimento recebido. “Eu acho que foi um deboche do meu filho doente”, afirmou.

O episódio ocorreu na madrugada do último dia 18, na UPA Jardim Conceição, em Osasco.

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“Meu filho estava muito mal, vomitou, então eu o levei ao médico. O atendimento foi extremamente rápido, não durou nem cinco minutos na sala. Ele me perguntou se eu havia olhado a garganta do menino. Eu respondi que não, pois ele era o médico e deveria fazer isso”, relatou a mãe.

No entanto, segundo Priscila, o médico não examinou a criança mesmo após sua explicação. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o profissional em questão.

“Ele começou a escrever a receita sem examinar meu filho, sem olhar a garganta, o peito, absolutamente nada. Então, ele perguntou ao meu filho se ele gostava de sorvete, e ele respondeu que sim. Depois, perguntou se preferia sorvete de chocolate ou morango, ao que meu filho respondeu chocolate. Mas, até então, eu não fazia ideia de que ele havia prescrito o sorvete na receita. Além disso, ele também prescreveu um jogo de videogame”, contou Priscila.

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Na receita médica, constavam cinco medicamentos prescritos: amoxicilina, ibuprofeno, dipirona, prednisolona e acetilcisteína. Além disso, o médico incluiu a indicação de sorvete de chocolate duas vezes por dia, juntamente com uma sessão diária de Free Fire.

Priscila afirmou que viu a lista de medicamentos, mas não percebeu a prescrição do sorvete e do jogo no final da receita. “Eu conhecia alguns dos medicamentos, outros não. Mas o médico não explicou nada, apenas escreveu a prescrição e me dispensou”, disse ela.

Somente no dia seguinte, a tia da criança pegou a receita e estranhou a indicação do médico. “Foi então que minha irmã e eu decidimos compartilhar a história no Facebook”, explicou Priscila.

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Segundo informações do site do CFM (Conselho Federal de Medicina), a situação do médico em questão é considerada regular, mas não há especialidade registrada.

De acordo com a Prefeitura de Osasco, a OS (Organização Social) responsável pelas UPAs informou que o médico foi desligado de seus prestadores de serviços.

Para o advogado Henderson Furst, presidente da Comissão de Bioética da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo), esse tipo de prescrição geralmente tem o objetivo de humanizar a relação médico-paciente.

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“Alguns médicos têm o costume de humanizar a relação com receitas que contenham elementos fora do comum, mas que representam um ato de humanização nessa relação. Já vi receitas, por exemplo, em que o médico escrevia ‘cuide-se, você é especial, abrace mais’. É claro que essa mesma receita, quando inserida em um contexto de uma relação médico-paciente já prejudicada, pode parecer muito estranha”, afirmou.

O advogado ressaltou que não é possível emitir uma opinião sobre a conduta do médico sem conhecer o contexto completo. “Não temos como saber se ele realmente foi negligente, se não prestou um bom atendimento. Mas não podemos condenar a prática em si”, disse.

“Pode ser que o profissional não tenha percebido a angústia e preocupação da mãe com a situação da criança e tenha sido inapropriado incluir aquela mensagem na prescrição. Talvez, em outro contexto, essa ação poderia ser vista como algo positivo e viralizar nas redes sociais”, avaliou Henderson Furst.

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A mãe da criança espera que esse caso traga melhorias nos atendimentos médicos na cidade. “Espero que prestem mais atenção, especialmente quando se trata de crianças. Muitas vezes, somos ignorados, não olham nos nossos olhos, fingem que estão ouvindo, o que é extremamente desrespeitoso. Precisamos ser ouvidos. Procuramos assistência médica porque precisamos, ninguém quer viver em um hospital”, concluiu Priscila.

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