Na véspera, as tropas invasoras lançadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, chegaram a um bairro ao norte da capital ucraniana.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, convocou seus compatriotas, na madrugada deste sábado (26, noite de sexta-feira no Brasil), a defender Kiev, a capital, de um ataque iminente das tropas russas que invadiram o país.

“Não podemos perder a capital. Falo com nossos defensores, homens e mulheres em todas as frentes: hoje à noite, o inimigo vai usar todas as suas forças para romper nossas defesas da maneira mais vil, dura e desumana. Vão tentar um ataque”, afirmou Zelensky em um vídeo postado no site presidencial.

Na véspera, as tropas invasoras lançadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, chegaram a um bairro ao norte de Kiev, mas logo pareceram perder forças. Pela noite, combates foram registrados em Vasilkov, cerca de 30 km ao sul da capital.

No local, as tropas ucranianas abateram um avião de transporte Il-76 e travavam “combates violentos” contra os russos que “tentam descarregar tropas pelo ar”, disse o Ministério da Defesa neste sábado, relatando também a destruição de um helicóptero e um caça no leste do país.

O secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, elogiou a mobilização das forças ucranianas, “que lutam com coragem e mantêm sua capacidade de causar perdas às forças invasoras russas”.

A ofensiva russa provocou a fuga de mais de 50.000 ucranianos do país, assim como 100.000 deslocados internos – segundo a ONU – e mais de 100 mortos, de acordo com Kiev.

Vladimir Putin exortou o exército ucraniano a “tomar o poder” e chamou o governo Zelensky de “gangue de viciados em drogas e neonazistas”.

Zelensky respondeu com a divulgação de um vídeo gravado em frente ao palácio presidencial. “Estamos todos aqui, nossos militares estão aqui, os cidadãos, a sociedade, estamos todos aqui, defendendo a nossa independência, o nosso Estado”, proclamou, ao lado de seus principais colaboradores.

O Ministério da Defesa ucraniano chamou a população a resistir.

“Pedimos aos cidadãos que nos informem dos movimentos de tropas, que fabriquem coquetéis Molotov e neutralizem o inimigo”, pediu.

Civis alistados nas brigadas de “defesa do território”, identificados com braçadeiras amarelas, são onipresentes em toda a capital. “Eu nunca tinha pegado em armas até hoje. Vamos tentar fazer o melhor que pudermos”, disse Roman Bondertsev, no norte de Kiev.

“E se eles me matarem, haverá outras duas pessoas prontas para tomar o meu lugar”, acrescentou.

Diplomacia travada 

Enquanto isso, os países ocidentais adotaram uma série de sanções contra entidades, empresas e autoridades russas, entre elas Putin, em resposta à invasão.

Zelensky contou que conversou com o presidente americano, Joe Biden, sobre o “reforço das sanções, de uma assistência de defesa concreta e de uma coalizão antiaérea”, além de manifestar seu “agradecimento” pelo “forte” apoio americano.

Contudo, a diplomacia segue travada.

No Conselho de Segurança da ONU, a Rússia vetou uma resolução promovida pelos Estados Unidos e pela Albânia para deplorar a “agressão” contra a Ucrânia.

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, disse que as relações entre Moscou e as potências ocidentais estão se aproximando de um “ponto de não retorno”.

“Não foi nossa opção. Queríamos o diálogo, mas os anglo-saxões fecharam essas opções uma atrás da outra e começaram a agir de forma diferente”, acusou.

Segundo Zakharova, as sanções contra Putin e seu ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, mostram a “impotência” dos países ocidentais.

Putin disse estar disposto a enviar uma delegação a Minsk, capital de Belarus, para negociar com a Ucrânia.

O porta-voz da diplomacia americana, Ned Price, descreveu esta proposta como uma “diplomacia realizada sob a mira de armas, quando bombas, morteiros e artilharia de Moscou atingem civis ucranianos”.

A Otan anunciou que ativará seus planos de defesa para reforçar seu flanco oriental.

A Rússia exige que a Ucrânia abandone sua ambição de aderir à Otan e pede que a aliança militar liderada pelos EUA reduza a sua presença no Leste Europeu.

Reprodução: O Tempo