Apesar de a ITA – empresa aérea do grupo Itapemirim, hoje em recuperação judicial – ter suspendido abruptamente seus voos na sexta-feira, deixando mais de 45 mil passageiros sem atendimento só até o próximo dia 31, o presidente da empresa, Sidnei Piva, afirma, em entrevista ao Estadão, que a empresa não está em estado falimentar e que fez contatos com fundos de investimento interessados em fazer aportes no negócio, mas se nega a revelar quais seriam.
O empresário disse ainda que tem esperança de a empresa voltar aos céus, apesar de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para suspender a permissão da companhia para operar. No total, a atuação da ITA não chegou a completar seis meses. “Suspenso não é cancelado. Quando voltarmos, teremos de preencher todos os questionários da Anac, mas a Itapemirim deve estar apta para voltar em breve ”, ressaltou Piva.
De acordo com o contrato, a interrupção dos serviços ocorreu porque prestadores de serviços realizou de fazer uma operação aeroportuária da companhia, que é toda terceirizada. Piva nega que a paralisação tenha decorrido de problemas financeiros: “Das companhias aéreas, a Itapemirim é a que menos deve”, afirma.
Paralelo a isso, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a empresa. Os investigadores vão apurar desvios da empresa em duas frentes: na operação de voos que prejudicou passageiros e no negócios com criptomoedas de Sidnei Piva.
Centenas de investidores acusam Piva de não devolver cerca de 400.000 reais investidos nas criptomoedas CrypTour, moeda digital lançada em julho deste ano pelo grupo de transporte, e de não terem mais acesso à plataforma da Extrading, que foi retirada do ar, para pedir o resgate ou simplesmente ter acesso a informações sobre o destino do dinheiro.
A PF mira a eventual prática de crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.
Fonte: Estadão e VEJA