Foto: João Gabriel - JF Informa
Foto: João Gabriel - JF Informa

Com prejuízos acumulados que somam R$ 73 milhões desde o início da pandemia, o transporte público de Juiz de Fora pode chegar a uma tarifa de R$ 5,60 ainda neste mês de dezembro caso nenhuma medida de apoio seja tomada.

A situação das empresas concessionárias, que já era alarmante, se agravou ainda mais após o veto do auxílio de R$ 4 bilhões – previsto no PL 3364 de 2020 – pelo presidente Jair Bolsonaro. O projeto de lei, que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, dispunha sobre o repasse de recursos a estados, Distrito Federal e municípios, em caráter emergencial e em razão do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, com o objetivo de garantir a prestação do serviço de transporte público coletivo de passageiros e de reequilibrar os contratos impactados pelos efeitos da pandemia da Covid-19.

Esse possível aumento impacta negativamente a vida dos cidadãos em um momento do ano em que estarão com o orçamento familiar comprometido pelo fim do auxílio emergencial, pelo avançado número de desempregos e pela alta inflação. Para se ter ideia, apenas no município de Juiz de Fora, uma empresa já fechou as portas, e outras três estão prestes a entrarem em um colapso financeiro que pode levá-las ao mesmo destino. Há meses, diversos pedidos de ajuda já foram protocolados formalmente, demonstrando a preocupação das concessionárias com a garantia da mobilidade urbana e da qualidade de entrega dos serviços.

Rafael Santana, diretor do Consórcio Via JF, destaca que “os ônibus, hoje, ainda são financiados única e exclusivamente pela tarifa paga pelo usuário. Esse modelo está super ultrapassado. Nos países desenvolvidos, por exemplo, o poder público é quem arca com a maior parte dos custos do transporte”.

O setor, que já estava em desequilíbrio antes da pandemia, ainda sofreu com o avanço do transporte individual de passageiros por aplicativos. A pandemia, somada à migração dos usuários que possuem poder aquisitivo para tal, pressiona para que novas formas de financiamento entrem em pauta imediatamente.

Alguns especialistas em mobilidade urbana, inclusive, já debatem a possibilidade de parte do sistema ser custeado pelos demais veículos, amenizando o impacto do valor da tarifa para quem mais precisa, os trabalhadores que dependem do sistema de transporte coletivo urbano. Isso seria possível por meio da criação de um “imposto verde” – sobre emissões de carbono – com parte destinada aos coletivos, o que impactaria em melhor qualidade, preços mais baixos, mais usuários no transporte público, menos congestionamentos e, consequentemente, preservação do meio ambiente.

Embora as possibilidades sejam diversas, apenas uma certeza paira sobre o futuro a curto prazo: caso não haja cooperação em prol do sistema de transporte público no município, as empresas temem não conseguir prestar o serviço de maneira apropriada já no início de 2021.

Isso porque, em dezembro, ainda precisarão quitar o vencimento do 13º salário dos rodoviários, além de pagar 1/3 das férias de 2020, mesmo tendo em vista o fim do auxílio do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda do Governo Federal (MP 936).

2 COMENTÁRIOS

  1. Já imaginou se a prefeitura tiver que subsidiar as academias de ginástica; bares, lanchonetes, médicos e etc. Quem não tem competência não se estabeleça (diz o ditado popular).

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