A enchente que alagou dezenas de ruas de Belo Horizonte na noite de terça-feira trouxe à tona um debate que mobiliza especialistas há pelo menos 15 anos, mas permanecia ignorado pelo poder público: a canalização dos rios que cortam a cidade e suas consequências.

De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), dos 654 km da malha fluvial do município, 208 km estão escondidos sob ruas, avenidas e construções. Na última década, a capital mineira recebeu diversas obras que agravaram a situação.

O próprio histórico de ocupação da cidade de Belo Horizonte, erguida sobre uma malha fluvial, ajuda a explicar as cenas impressionantes dos últimos dias. O concreto de prédios, calçadas e avenidas impede o solo de absorver a água e sobrecarrega as galerias subterrâneas.

Na Avenida Prudente de Morais, importante via da região Centro-Sul, via-se o efeito prático: bueiros explodiram com a pressão da água e a rua se tornou um rio caudaloso, cuja correnteza arrastou carros, placas e tudo o mais que havia pela frente — vídeos que registraram a cena viralizaram na internet.

Fonte: Exame

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